Mãe de menino morto no Rio Grande do Sul deixa a prisão após três meses
Mayanna Rodgers, de 29 anos, acusada de tortura e omissão no caso da morte do filho Oliver Grayson, foi solta na manhã desta sexta-feira (9). A Justiça determinou sua saída da Penitenciária de Guaíba, no Rio Grande do Sul, após três meses de prisão preventiva decorrentes do falecimento do menino de três anos no início de julho, em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Condições para a liberdade provisória
A ordem de liberação foi emitida na quinta-feira (8) pela 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal de Viamão, substituindo a prisão preventiva por exigências cautelares. Entre as regras impostas, Mayanna precisa manter o endereço atualizado, comparecer aos atos judiciais e abster-se de deixar a comarca de Porto Alegre ou o país.
Adicionalmente, a sentença estabelece recolhimento domiciliar noturno e em dias de folga, proibição de contato ou proximidade com os filhos, entrega do passaporte e monitoramento por tornozeleira eletrônica. Após deixar o estabelecimento prisional, ela passará a residir em um abrigo mantido por uma organização não-governamental na zona sul da capital gaúcha.
Acusações e fundamentos da soltura
Enquanto as acusações de homicídio contra Mayanna foram arquivadas, ela continua respondendo por quatro imputações de tortura por omissão, envolvendo Oliver e seus outros três irmãos. O magistrado Guilherme Pires Mitidiero pontuou que o cenário processual atual se mostra modificado em relação ao período em que a detenção foi decretada.
O juiz também ponderou que os demais filhos estão sob cuidados institucionais e não convivem mais com a acusada, diminuindo os riscos que motivaram a restrição de liberdade. Enquanto isso, o pai da criança, D’Andre Graysson, de 33 anos, permanece preso preventivamente como réu por homicídio qualificado com dolo eventual e quatro crimes de tortura.
Investigação sobre o crime e histórico de violência
As agressões que vitimaram Oliver ocorreram após o pai alegar ter cometido os atos porque o menino não lhe deu “bom dia”. O inquérito aponta que a criança sofreu socos e teve a cabeça batida contra o chão, falecendo três dias depois, em 8 de julho, devido a um traumatismo cranioencefálico grave. O casal de norte-americanos, que vivia no Brasil há oito anos, teria orientado os filhos a esconderem marcas de violência.
A defesa de Mayanna se manifestou sobre o alvará de soltura por meio de nota oficial:
“A decisão da 1ª Vara Criminal de Viamão restabelece a justiça ao reconhecer expressamente a ausência de qualquer envolvimento de Mayanna no homicídio do próprio filho, imputação esta que já se encontra devidamente arquivada. O próprio Poder Judiciário constatou a inexistência de riscos cautelares e a total desnecessidade da prisão preventiva, que não podia prevalecer sobre acusações que sequer integram mais o processo. Mayanna responde unicamente por uma suposta conduta omissiva e sempre esteve e continuará integralmente à disposição da Justiça para colaborar com a elucidação dos fatos e demonstrar sua inocência no curso do processo.”



