23/10/2026

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Mulheres alcançam 17% dos assentos em conselhos corporativos no Brasil

A participação de mulheres nos conselhos de administração de companhias abertas brasileiras alcançou 17% em 2026, marcando o maior patamar verificado nos últimos 13 anos, de acordo com um estudo recente da KPMG que examinou 261 organizações listadas na Bolsa de Valores.

Evolução histórica e cenário global O percentual atual representa uma alta em relação ao índice de 16% registrado em 2023 e à marca de 6% contabilizada em 2013. Apesar do crescimento expressivo ao longo de pouco mais de uma década, o patamar nacional ainda é modesto frente a outros mercados mundiais.

Fernanda Allegretti pontuou durante entrevista ao CNN Money que o índice brasileiro fica aquém de referências internacionais.

“Se você pega as grandes empresas da S&P, por exemplo, você tem mais de 34% das empresas com mulheres no conselho de administração”, afirmou.

A especialista também comparou o desempenho com o bloco econômico: “Com 17% mostra que a gente ainda tem um caminho a percorrer”, pontuou Allegretti, lembrando que as nações da OCDE mantêm uma média de 29%.

Motores da transformação corporativa O avanço na ocupação dessas vagas é impulsionado pelo fortalecimento da governança corporativa, novas exigências regulatórias e pela cobrança ativa dos stakeholders, conforme apontou Allegretti. A especialista destacou que o conceito de pluralidade engloba múltiplos aspectos.

“Quando a gente fala de diversidade, não é só de gênero, mas também de formação, de idade”, explicou, acrescentando que os próprios colaboradores cobram maior representatividade em todos os níveis de gestão.

Desafios culturais e qualificação Entre os fatores que retardam a expansão desse indicador, a cultura corporativa se destaca como a principal barreira a ser superada pelas organizações.

“Eu não acho que é uma questão de formar as mulheres, as mulheres já estão formadas, muitas vezes super preparadas e até mais do que os homens, porque elas sabem que elas enfrentam barreiras maiores para chegar lá”, afirmou Allegretti.

O desafio central consiste em persuadir os atuais conselheiros e dirigentes a abrirem espaço para a entrada feminina nas instâncias estratégicas de deliberação.

Governança e gestão de riscos O levantamento também abordou aspectos operacionais e apontou que 96% das companhias avaliadas julgam seus controles internos como satisfatórios. Contudo, a especialista ponderou que tal avaliação exigiria uma auditoria individualizada, questionando se o preparo engloba ameaças contemporâneas, a exemplo de invasões virtuais e o emprego incorreto de inteligência artificial.

Adicionalmente, o estudo revelou que 83% das organizações possuem um departamento dedicado ao gerenciamento de riscos, comparado aos 61% registrados em 2010.

“As empresas estão visualizando que os riscos estão aumentando e que elas têm que se preparar para eles”, concluiu.