Eleições em Israel: Netanyahu enfrenta teste político decisivo nas urnas
Os cidadãos israelenses comparecem às urnas nesta terça-feira (27) para as eleições gerais, em um momento crucial para o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que busca permanecer no cargo enfrentando forte resistência de opositores. Esta votação marca um fato histórico raro: é a primeira vez desde 1988 que o mandato legislativo atinge sua duração completa sem que ocorra uma dissolução antecipada do parlamento.
Panorama eleitoral e o impacto da guerra O pleito atual acontece sob a sombra do ataque conduzido pelo Hamas em 7 de outubro de 2023, marco inicial do conflito no Oriente Médio que deixou mais de 1.200 mortos e 251 reféns. Como retaliação, a administração de Netanyahu iniciou uma ofensiva militar massiva na Faixa de Gaza, resultando na morte de mais de 75 mil palestinos no enclave.
Com voto facultativo para maiores de 18 anos, o país conta com 7,3 milhões de eleitores aptos distribuídos em cerca de 12 mil seções, conforme dados do Comitê Central Eleitoral. No entanto, as últimas pesquisas de intenção de voto indicam que a coalizão governista deve perder força, reduzindo drasticamente sua bancada no Knesset e abrindo espaço para uma disputa acirrada liderada pela oposição.
Estrutura do sistema político israelense O país adota o regime parlamentarista, dividindo o poder entre um chefe de Estado com funções predominantemente cerimoniais — atualmente o presidente Isaac Herzog — e um chefe de governo, cargo ocupado pelo premiê Netanyahu. O legislativo, conhecido como Knesset, possui 120 assentos em câmara única, cujos membros são renovados quadrienalmente.
Para conquistar uma cadeira no parlamento, as legendas precisam superar uma cláusula de barreira de 3,25%. Como nenhuma sigla jamais obteve a maioria absoluta de 61 cadeiras para governar de forma isolada, a formação de coalizões partidárias tornou-se uma prática obrigatória e historicamente instável na política local.
Principais forças e rivais na disputa pelo poder A disputa principal ocorre entre o Likud, partido conservador liderado por Netanyahu desde 2009, e novas frentes oposicionistas. Entre os principais concorrentes está Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior e fundador da legenda Yashar, que adota uma imagem de outsider e militar rigoroso. Outro polo de oposição é formado pela aliança entre os ex-premiês Naftali Bennett e Yair Lapid, unidos na sigla Juntos (Beyachad), além do ex-ministro da Defesa Avigdor Lieberman, crítico ferrenho da atual gestão.
“O que Netanyahu tenta fazer agora é impedir que a oposição consiga mais de 60 parlamentares, a ponto de formar uma coalizão […] Ele também tem o desafio de levar às urnas os eleitores, principalmente os mais moderados, que estão descontentes com o desempenho do governo e com as grandes rupturas sociais causadas por ele”, afirma João Koatz Miragaya, mestre em História pela Universidade de Tel Aviv e colaborador do Instituto Brasil Israel.
Desafios de mobilização e o futuro do governo Enquanto o bloco governista tenta manter sua base unida por meio de acordos com partidos religiosos e ultranacionalistas — incluindo concessões sobre o controverso recrutamento militar de judeus ultraortodoxos e financiamento de assentamentos —, analistas apontam que a mobilização popular será determinante para o resultado.
Para a oposição, essa tem sido considerada a eleição mais histórica de Israel, explica o professor de Sociologia da UFRJ e Coordenador do Núcleo de Estudos Judaicos, Michel Gherman.
“Ao que tudo indica, o nível de participação deve ser acima do normal entre grupos urbanos, seculares e árabes, que votam menos, normalmente. Já os grupos pró-Netanyahu têm estado menos entusiasmados e demonstrado menos confiança no Parlamento”, diz Gherman.



