18/10/2026

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Fumaça de queimadas cobre Manaus pelo nono dia seguido

A capital amazonense amanheceu novamente sob uma espessa camada cinzenta neste sábado (17). O cenário marca o nono dia consecutivo em que a névoa tóxica encobre a paisagem urbana, gerando transtornos no tráfego aéreo e colocando a saúde pública em patamares alarmantes.

Poluição extrema compromete voos e satura ar na capital

A concentração de partículas inaláveis finas na atmosfera manauara já supera em 59,2 vezes o limite anual estipulado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), enquadrando o ar como “perigosa”. Diante da baixa visibilidade provocada pela névoa seca, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que as atividades e operações aéreas tiveram de ser interrompidas na região.

Nas redes sociais, a revolta com a fumaça constante ganhou força. Um morador desabafou: “Mais um dia acordando com o fedor insuportável de fumaça. A qualidade do ar em Manaus continua PÉSSIMA e, mais uma vez, volto a dizer que sinto que estão tentando nos matar sufocados”.

Diante do quadro crítico, a Defesa Civil do Estado emitiu um aviso de perigo severo, vinculando a névoa a focos de calor ativos em florestas de áreas não demarcadas ou protegidas.

Origem do fogo e resposta governamental

O fenômeno que sufoca a região metropolitana decorre dos incêndios florestais iniciados no interior do próprio Amazonas e em estados limítrofes. As partículas contaminantes viajam com facilidade e permanecem estacionadas sobre os centros urbanos em razão da estiagem prolongada e do padrão dos ventos.

De acordo com declaração feita na última quarta-feira (14) pelo ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, existem indícios de ação humana deliberada, e autoridades apuram a hipótese de queimadas coordenadas.

Em outra frente, o Ministério da Saúde mantém o acompanhamento logístico de estoques de oxigênio medicinal, buscando garantir o abastecimento hospitalar caso ocorra uma explosão de atendimentos respiratórios.

Interior do estado registra situação ainda mais grave

O problema não se restringe à metrópole. Dados da plataforma de monitoramento ambiental Selva revelaram picos ainda maiores de contaminação atmosférica em municípios do interior na manhã deste sábado:

  • Urucurituba: 731,1 µg/m³
  • Maués: 724,7 µg/m³
  • Autazes: 607,3 µg/m³

Recomendações médicas e preventivas

Para conter os impactos do ar poluído no organismo, os órgãos de Defesa Civil e a Prefeitura de Manaus orientam a população a evitar sair ao ar livre e a adotar o uso de máscaras faciais de proteção caso precisem se deslocar. No ambiente doméstico, a instrução é manter portas e janelas vedadas, além de intensificar a hidratação com água abundante e utilizar umidificadores de ar nos cômodos.