Igreja destruída por incêndio em Santa Catarina sofreu desvios financeiros
A paróquia central de Treze de Maio, localizada no Sul de Santa Catarina, enfrentou um incêndio de grandes proporções na manhã deste domingo (11), logo após o encerramento da missa. O templo, que possui grande importância histórica para a região, já havia sido alvo de crimes financeiros graves cometidos por um antigo colaborador anos antes.
Combate às chamas e perícia
As chamas começaram por volta das 10h22, exigindo uma ampla operação de resgate e combate ao fogo. Guarnições do Corpo de Bombeiros Militar de Tubarão e de Morro da Fumaça se deslocaram para o local, contando com o apoio de uma autoescada mecânica vinda de Criciúma e do trabalho dos bombeiros voluntários de Jaguaruna. As causas exatas do sinistro ainda serão apuradas por meio de uma perícia técnica, e até o momento não há registros oficiais de feridos ou o balanço completo dos prejuízos materiais.
Condenação por desvios financeiros
Curiosamente, a tragédia ocorreu apenas dois dias após a Justiça de Santa Catarina emitir uma condenação contra o ex-responsável pelo setor financeiro da instituição. O réu recebeu uma pena de 4 anos, 5 meses e 10 dias de reclusão, em regime inicial semiaberto, respondendo por 11 crimes de furto qualificado cometidos mediante fraude e abuso de confiança.
Esquema de desfalque na paróquia
Aproveitando-se de sua posição de privilégio, o homem tinha total autorização para gerenciar as contas bancárias da paróquia, de capelas vinculadas e de sacerdotes. Entre os anos de 2011 e 2012, ele desviou mais de R$ 100 mil para fins particulares, como a aquisição de veículos, quitação de faturas de cartão de crédito e pagamento de dívidas pessoais.
O esquema criminoso funcionava através de retenção de depósitos, emissão fraudulenta de cheques em branco e transferências bancárias não autorizadas. Um dos episódios ocorreu no final de 2011, quando reteve R$ 9 mil destinados a uma capela, além de se apropriar, em abril de 2012, de R$ 2.366,67 que seriam utilizados na compra de uma escultura sacra. O caso foi descoberto quando tesoureiros notaram a ausência de saldo nas contas, momento em que o funcionário redigiu uma carta confessando os delitos e se afastou.
De acordo com a promotora de Justiça Raísa Carvalho Simões Rollin, a investigação levou tempo devido à complexidade do caso. “Foram diversos crimes cometidos por ele por mais de um ano, o que tornou mais difícil a investigação, por isso, inclusive, a tramitação do processo perdurou um pouco mais até que obtivéssemos a condenação”, comentou.
Recursos e busca por indenização
O Ministério Público de Santa Catarina entrou com um recurso no Tribunal de Justiça visando ampliar a pena, solicitando a condenação por mais um furto de R$ 12 mil — valor do qual o réu havia sido absolvido em primeira instância — e exigindo o pagamento de uma indenização mínima de R$ 100 mil para ressarcir os prejuízos causados à paróquia. “A responsabilização criminal é importante, mas também queremos que esse dano causado por ele seja efetivamente reparado”, reforçou a promotora. O pedido do órgão ministerial aguarda apreciação judicial, enquanto a defesa também tem direito de recorrer da decisão inicial.



