Pentágono afasta chefe de planejamento militar em meio a tensão com Irã
O governo dos Estados Unidos promoveu o afastamento repentino do tenente-general Brett Sylvia, que atuava como diretor de estratégia, planos e políticas — conhecido como J5 — no Estado-Maior Conjunto do Pentágono. A decisão foi tomada pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, e ocorre em um momento em que o presidente Donald Trump avalia a realização de novas operações militares contra o Irã.
Mudanças no comando militar americano Até o momento, nenhum motivo oficial foi apresentado para a saída de Sylvia, e a identidade do substituto que assumirá a função ainda não foi divulgada. A biografia do oficial já foi removida do site oficial do Estado-Maior Conjunto.
Por meio de um porta-voz, o órgão expressou agradecimento ao militar: “O presidente [do Estado-Maior Conjunto], o Estado-Maior Conjunto e a Força Conjunta expressam sua profunda gratidão ao tenente-general Brett Sylvia e à sua família pelos 32 anos de serviços distintos prestados à nossa nação. Desejamos a ele e à sua família o melhor, à medida que avançam rumo a novas oportunidades e aos próximos capítulos de suas vidas”.
Contexto estratégico do J5 O setor J5 é considerado um dos pilares estratégicos do Pentágono, sendo responsável por desenhar planos para o engajamento internacional do país e assessorar a liderança nacional em temas de segurança.
Sobre a função, o Estado-Maior Conjunto detalha: “O J5 do Estado-Maior Conjunto propõe estratégias, planos e recomendações de políticas ao Presidente do Estado-Maior Conjunto, a fim de subsidiar o fornecimento de aconselhamento militar — abrangendo todo o espectro de questões de segurança nacional — ao Presidente e a outros líderes nacionais”.
A unidade também busca “garantir que tais recomendações sejam fundamentadas em um contexto estratégico mais amplo — em coordenação com agências governamentais e parceiros de alianças —, levem em conta a perspectiva e as necessidades dos comandantes de forças combatentes, e avaliem os riscos associados à execução da Estratégia Militar Nacional”. Sylvia havia sido indicado para o posto no fim da gestão de Joe Biden, sob o comando do ex-secretário de Defesa Lloyd Austin.
Afastamentos em série no alto escalão A saída de Sylvia amplia a lista de baixas no comando militar desde que Hegseth assumiu a liderança da Defesa e Trump retornou à Casa Branca. Entre os episódios anteriores está a aposentadoria forçada do chefe do Estado-Maior do Exército, general Randy George, ocorrida em abril.
Outro caso emblemático foi o do antecessor de Sylvia, o tenente-general Joe McGee, desligado em outubro de 2025 após divergir de Hegseth e de outras lideranças em pautas como Ucrânia, Rússia e missões no Caribe.
Preparativos para operações no Oriente Médio O desligamento do planejador militar coincide com relatos de que as tropas americanas no Oriente Médio estariam posicionadas para executar investidas de grande porte contra o Irã. Autoridades indicam que uma ofensiva poderia ocorrer “dentro de 96 horas após o recebimento” de diretrizes presidenciais.
“Será um grande esforço”, disse uma das autoridades à CNN.
Apesar da expectativa de parte do alto escalão de que uma ordem seja emitida após as eleições de meio de mandato, fontes lembram que o presidente já sinalizou recuos de última hora em situações anteriores e reforçou publicamente que nenhuma investida aconteceria antes do pleito marcado para a próxima terça-feira.



