Gigante dos motores investe R$ 330 milhões em fábrica de baterias em Santa Catarina
De olho no primeiro leilão de baterias do Brasil, que exige pelo menos 15% de conteúdo nacional em uma de suas modalidades, a multinacional catarinense WEG decidiu ampliar expressivamente sua aposta no setor de armazenamento energético.
Investimento robusto e nova capacidade produtiva
Inicialmente orçado em R$ 280 milhões, o projeto da nova unidade fabril em Itajaí, no Litoral Norte catarinense, saltou para um aporte estimado em R$ 330 milhões. Com início das operações programado para o segundo semestre de 2027, a planta industrial terá capacidade para gerar 4 GWh anuais, o dobro do planejado originalmente.
A estrutura será focada nos chamados sistemas BESS, sigla internacional para sistemas de armazenamento de energia em baterias. Essa tecnologia viabiliza guardar a eletricidade gerada em momentos de pico para utilizá-la em períodos de escassez, garantindo maior estabilidade à rede elétrica nacional frente ao crescimento de fontes renováveis como a solar e a eólica.
Regras do leilão e o mercado nacional
Agendados para os dias 2 e 4 de dezembro, os leilões de reserva de capacidade trarão critérios distintos. Enquanto o primeiro exigirá o cumprimento das diretrizes mínimas do BNDES, o segundo aceitará concorrentes sem essa obrigatoriedade de nacionalização.
A expectativa da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia aponta que os participantes devem superar a marca exigida, entregando índices entre 18% e 25% para evitar riscos contratuais. Atualmente, o BNDES cataloga oito fornecedoras habilitadas nessa tecnologia, incluindo nomes como BYD, Gotion, Moura, TBEA, Trina, SecPower, WEG e You.On.
Estratégia industrial e componentes locais
Embora as células das baterias devam continuar sendo importadas da Ásia a curto prazo devido à alta escala internacional, a companhia focará na fabricação interna de itens onde o Brasil já detém maturidade tecnológica. Entram na lista inversores, transformadores, painéis de média tensão, sistemas de conversão de potência, além de automação e engenharia.
“Com escala e previsibilidade de demanda, podemos aumentar progressivamente o conteúdo nacional sem comprometer a competitividade dos projetos”, afirmou Manfred Peter Johann, vice-presidente de Automação e Sistemas da WEG, em entrevista à CNN Brasil.
Queda nos preços e novas oportunidades
O cenário econômico global também favorece o setor graças à retração internacional nos custos das células de bateria. Embora o preço final dos projetos envolva fatores como tributos, engenharia e segurança, a barateamento global já surte efeito positivo no mercado brasileiro.
Além dos certames energéticos visando a estabilidade da matriz nacional, o executivo enxerga um horizonte promissor para aplicações corporativas, microrredes, centros de dados e geração renovável, tanto dentro do território brasileiro quanto no exterior.



