Cleitinho cobra fim da escala 6×1 e critica gastos do congresso
O senador Cleitinho (Republicanos-MG) utilizou a tribuna do Senado Federal para protestar contra os altos custos do Poder Legislativo e exigiu uma mobilização favorável à extinção da jornada de trabalho de seis dias por um de descanso. O parlamentar mineiro apontou o contraste entre as regalias dos políticos e o cotidiano da população.
Privilégios em debate no senado Durante o pronunciamento, o legislador destacou a disparidade financeira e estrutural entre os trabalhadores brasileiros e os parlamentares em Brasília.
“Você trabalhador, quando você tá fazendo essa escala 6 por 1, pegando ônibus lotado, recebendo R$ 1.600 de salário, não tem direito a nenhuma mordomia, nenhum privilégio”, afirmou o senador, comparando a situação com a dos deputados e senadores, que têm direito a “plano de saúde vitalício, é auxílio moradia, é verba indenizatória de alimentação, é um monte de privilégio”.
O parlamentar também questionou a inatividade recente do parlamento, ressaltando que a instituição permaneceu quase quatro meses sem votações desde o recesso parlamentar de julho, enquanto o cidadão comum manteve suas atividades laborais ininterruptas.
Críticas ao financiamento público Ainda em seu discurso na tribuna, o político reforçou as críticas à manutenção da estrutura legislativa e mencionou a origem dos recursos públicos.
“Um Congresso muito caro. Fonte de riqueza, gente, é você trabalhador e você empresário. Fonte de despesa está aqui”, declarou.
Na mesma ocasião, ele pediu sensibilidade aos colegas de plenário para a aprovação da matéria e lembrou que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) foi redigida originalmente pelo deputado Reginaldo Lopes (MG).
Articulação política e propostas para o setor produtivo O senador argumentou que o debate sobre a jornada profissional ultrapassa as barreiras partidárias tradicionais, classificando o tema como uma causa trabalhista legítima.
“Essa luta, gente, não é de esquerda, nem de direita não, essa luta é do trabalhador”, disse.
Nos bastidores da política nacional, o representante mineiro atuou diretamente para convencer o senador Flávio Bolsonaro (PL) a apoiar a iniciativa. Embora defenda que o modelo de jornada de trabalho deva ser resolvido por meio de negociações diretas entre empregados e empregadores, Flávio confirmou que votará a favor da proposta.
Para equilibrar o impacto da mudança, o congressista sugeriu medidas de compensação financeira voltadas aos empregadores, como a desoneração da folha de pagamento e o corte de tributos, reiterando que o parlamento deve dar o exemplo na contenção de despesas públicas.
“Quem tem que cortar da própria carne não é o trabalhador, nem o empresário. Quem tem que cortar da própria carne é o Congresso Nacional”, concluiu.



