24/10/2026

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Flávio Bolsonaro e Lula discutem ilha em Angra, Lulinha e Vorcaro em debate

O quarto bloco do debate promovido pela TV Globo na noite desta sexta-feira (23) foi marcado por intensas discussões entre os candidatos ao Palácio do Planalto, Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com tema livre e oito minutos de fala para cada participante sem limite de intervenções, o confronto passou por polêmicas envolvendo uma ilha em Angra dos Reis, o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

O embate sobre a ilha e o banqueiro

A abertura da etapa de confrontos diretos ocorreu com Lula questionando o adversário a respeito da denúncia feita pelo jogador de futebol Richarlison. O atleta acusa o senador e o advogado Willer Tomaz, amigo do parlamentar, de terem tomado posse de uma ilha na região fluminense.

Em sua resposta e réplica, Flávio direcionou o foco para o uísque supostamente recebido pelo presidente e disparou: “Você ganhou um uísque Macalan que vale meio milhão de reais”. E completou: “Conta para o público qual o gostinho desse uísque.”

O atual mandatário rebateu afirmando que o senador não aceita o fato de o governo anterior ter feito “Vorcaro banqueiro” e a gestão atual tê-lo transformado em prisioneiro. “Você e Vorcaro parecem uma coisa só”, declarou o petista, acrescentando sobre o suposto presente: “Deve ter sido para você, porque quem é amigo do Vorcaro é você, quem é filhote do Vorcaro é você, quem pegou dinheiro do Vorcaro é você”.

Discussão sobre o financiamento de filme e sigilos

Na sequência, o debate enveredou para o patrocínio da cinebiografia Dark Horse, inspirada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O candidato do PL defendeu que a obra não utilizou dinheiro público. Contudo, mensagens divulgadas em maio revelaram negociações de um pedido de US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões), com repasses efetivos de pelo menos R$ 61 milhões.

Diante das trocas de acusações, Lula cobrou a abertura de sigilos bancários, telefônicos e fiscais, mencionando um desafio lançado anteriormente. O presidente afirmou que entregou sua documentação, a de sua esposa e a de seu filho Fábio à Suprema Corte, cobrando a mesma atitude do opositor. “Ele disse que não ia entregar o material, só se o ministro da Suprema Corte aceitasse”, pontuou o petista, reiterando que o rival “está devendo essa para a sociedade brasileira”.

Flávio retrucou afirmando que sua documentação “está toda lá”. Em resposta, Lula propôs um novo desafio para o dia seguinte: “Faço outro desafio, eu e você, amanhã, abrir as contas minha e sua para que a Justiça apure”, sugerindo entregar os papéis ao ministro André Mendonça, a quem chamou de “amigo” do senador. “Eu preciso provar quem é ladrão nesse país”, justificou.

Novas acusações e considerações finais

O chefe do Executivo também questionou a aquisição de um imóvel de alto valor por parte de Flávio com base em seu salário. O senador justificou que seu dinheiro “vem do trabalho”, pois ele é “advogado há muitos anos”. O parlamentar revidou citando Lulinha, afirmando que ele declara bens no nome “de um laranja” e questionando quem custeia as despesas do filho do presidente, mencionando a empresária Roberta Luchsinger. “Roberta, ele te chamou de pilantra varias vezes”, afirmou Flávio, exigindo a abertura das contas do cartão corporativo governamental.

Nas considerações finais, Lula defendeu sua trajetória, criticou os gastos do governo anterior no cartão corporativo e apelou pela defesa da democracia. Por sua vez, Flávio reiterou propostas de segurança pública, como classificar facções criminosas — como o CV e o PCC — como organizações terroristas, prometendo focar na recuperação do poder de compra dos cidadãos.

Mediado pelo jornalista César Tralli, o encontro televisivo foi estruturado em quatro blocos, combinando temas determinados e uma etapa final de assunto livre, com regras definidas por sorteio prévio ao vivo.