25/10/2026

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Eleições: Lula e Flávio mudam discursos sobre pautas cruciais

Os concorrentes ao segundo turno da disputa presidencial, Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, recalibraram suas narrativas públicas em relação a temas sensíveis como o Bolsa Família, a PEC da jornada de trabalho e a redução da maioridade penal, gerando repercussão e embates jurídicos.

Mudança na escala de trabalho

Entre as principais reviravoltas da corrida eleitoral deste ano, o tema do fim da escala 6×1 ganhou destaque central. O senador Flávio Bolsonaro, inicialmente opositor ferrenho da iniciativa, acabou votando a favor da Proposta de Emenda à Constituição validada pelo Senado em 14 de outubro. O projeto, aprovado por 75 votos a um, estabelece a diminuição da carga horária semanal de 44 para 40 horas, mantendo a remuneração integral.

O parlamentar justificou a alteração de postura após diálogos com trabalhadores e assegurou que não tentará revogar a determinação caso vença o pleito. Por outro lado, Lula, defensor histórico da pauta, passou a questionar o histórico do rival. O assunto dominou o debate da Band em 18 de outubro e seguiu como alvo da campanha petista ao longo da semana.

Reviravolta na segurança pública e maioridade penal

No campo da segurança pública, a alteração de rota veio do lado governista. O presidente manifestou apoio à diminuição da maioridade penal de 18 para 16 anos especificamente em situações de crimes hediondos, contrariando a diretriz tradicional do Partido dos Trabalhadores.

A discussão ganhou tração após o senador Rogério Marinho apresentar uma emenda para baixar a idade penal e permitir responsabilização a partir dos 14 anos em casos graves. Em resposta, o senador governista Camilo Santana propôs uma alternativa para fixar a idade em 16 anos apenas para crimes hediondos. A divergência interna na base governista travou a tramitação da PEC da Segurança Pública, adiando sua votação para o período posterior ao pleito.

Debates em torno do Bolsa Família

Em relação aos programas sociais, o candidato do PL passou a apoiar a preservação e a correção monetária do auxílio, apesar de oposição anterior. A controvérsia intensificou-se quando a equipe econômica da campanha sugeriu uma regra de transição de dois anos para beneficiários inseridos no mercado formal. Posteriormente, a coordenação esclareceu que o suporte seria mantido por até 24 meses com direito a retorno em caso de desemprego.

O tema também gerou desgaste para a campanha governista após declarações do atual presidente sobre a defasagem nos reajustes. Como resposta, um acréscimo de 15,04% foi oficializado em 17 de setembro, elevando o patamar mínimo para R$ 691 e tendo seus pagamentos antecipados na reta final da disputa eleitoral.