18/10/2026

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Em sabatina, Flávio Bolsonaro aborda escala 6×1, STF e segurança

Em entrevista concedida nesta sexta-feira (16), o senador Flávio Bolsonaro detalhou suas diretrizes para um possível governo federal, abordando temas centrais da pauta política e econômica nacional. Durante a sabatina, o parlamentar comentou sobre a redução da jornada de trabalho, teceu duras críticas à atuação do Judiciário, apresentou metas fiscais e delineou sua estratégia contra a criminalidade organizada.

Posicionamento sobre o fim da escala 6×1

Questionado sobre as discussões legislativas a respeito da jornada semanal, o parlamentar garantiu que aceitará o que for determinado pelos congressistas e explicou que reviu seu entendimento sobre o tema após dialogar com trabalhadores ao longo da campanha. Flávio Bolsonaro assegurou que não tentará anular a mudança caso vença a corrida presidencial.

“Todos os direitos trabalhistas estão garantidos [sobre ele reverter o fim da escala 6×1]. Cada um pode ter a sua opinião individual, mas, da minha parte, isso aqui está respeitado. Foi uma decisão do Congresso Nacional. Então, da minha parte, nenhum questionamento com relação a isso.”

O senador também associou a rotina dos trabalhadores à crise de violência urbana:

“E digo mais, não pode ficar só nessa folga extra, que todo mundo tem direito de ter essa folga extra, todo mundo quer trabalhar menos e ganhar mais, o problema é durante essa sua folga, com mais um dia de folga, você vai continuar andando de ônibus e sendo assaltado.”

Críticas ao STF e proposta de reforma judicial

A relação com o Supremo Tribunal Federal ocupou espaço de destaque na sabatina. Flávio direcionou questionamentos contundentes ao ministro Alexandre de Moraes, apontando um suposto alinhamento partidário do magistrado com o Executivo.

“O Alexandre de Moraes virou o articulador político do Lula em Brasília. Ele que fez as pazes do Davi Alcolumbre, o presidente do Senado, junto ao presidente Lula e hoje estão todos unidos a favor da reeleição do Lula. Então não dá para admitir um ministro do Supremo tendo uma atuação politipartidária.”

Defendendo alterações estruturais no Poder Judiciário para recuperar o prestígio da instituição, o senador ressaltou que a lei precisa alcançar todos os cargos:

“Os amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal se protegendo para que investigações não avancem sobre eles. Isso aqui não dá mais, eles já acabaram com a credibilidade do Poder Judiciário e essa reforma do Judiciário também tem que caminhar para o resgate dessa credibilidade, porque a magistratura toda, Renata, não é Alexandre de Moraes. O Supremo não é Alexandre de Moraes.”

Sobre punições regimentais, ele citou o papel do Legislativo:

“Todo mundo tem que estar abaixo da lei. Esse é o problema do Brasil hoje, Renata. Qual o problema do Brasil? As pessoas acham que estão acima da lei, a lei tem que valer para todo mundo. A lei 1079, que é a lei de impeachment, estabelece lá quais são os crimes de responsabilidade que, se um ministro do Supremo Tribunal Federal incorrer em uma daquelas hipóteses, é obrigação do Senado Federal iniciar um processo de impeachment.”

Enfrentamento ao crime organizado e segurança

No segmento de segurança pública, o senador prometeu uma postura rígida contra grupos criminosos e facções do tráfico. Ele pretende reunir os comandos policiais dos estados e classificar juridicamente facções e milícias como organizações terroristas.

“Os chefes das polícias estaduais vão fazer uma grande reunião para a gente iniciar, vamos declarar guerra ao narcotráfico aqui no Brasil a partir de janeiro do ano que vem. Eu vou declarar Comando Vermelho, PCC e milícias como organizações narcoterroristas, que é o que eles são.”

Ao abordar os episódios de 8 de janeiro de 2023, o senador reprovou os danos causados a prédios públicos e os confrontos contra as forças de segurança, porém discordou do enquadramento dos envolvidos em crimes de tentativa de golpe.

Financiamento do documentário Dark Horse

A entrevista também abordou a captação de recursos com Daniel Vorcaro, do Banco Master, para a produção do filme “Dark Horse”, obra focada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador negou irregularidades e reforçou que a iniciativa não envolveu verba governamental ou benefícios em troca de apoio.

“Mais uma vez, eu vou esclarecer quantas vezes forem necessárias. Eu estou falando de um pedido de um patrocínio privado, para um filme privado, sem absolutamente nenhuma contrapartida pelo fato de eu ser senador da República para fazer um filme do Jair Bolsonaro.”

Plano econômico e diretrizes de governo

Para a economia, Flávio defendeu um corte de despesas de R$ 200 bilhões por meio da redução de pastas ministeriais, controle mais rigoroso de empresas estatais e monetização de patrimônios imobiliários da União. Ele descartou mexer nos pisos da saúde e educação, assegurando que o salário mínimo continuará com aumentos reais e que os direitos previdenciários serão mantidos.

“Então olha só como é que tem muitas receitas novas a serem feitas e tem despesas para serem cortadas, principalmente combatendo a corrupção e fazendo uma gestão com inteligência artificial, que é o que eu vou propor.”

Por fim, o parlamentar indicou que pretende governar apenas por quatro anos caso seja eleito, rejeitando a intenção de buscar reeleição ou prorrogar mandatos para cinco anos:

“Eu só preciso de um mandato, porque eu não quero começar um mandato já pensando na reeleição, eu quero fazer o que precisa ser feito para o Brasil melhorar.”

Ele ainda negou a possibilidade de nomear o irmão Eduardo Bolsonaro para o comando do Ministério das Relações Exteriores, embora tenha pontuado que manterá diálogo frequente