Fim da escala 6×1 exige uso de tecnologia para reorganizar jornadas
O Congresso Nacional promulga nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que acaba com a escala 6×1. O texto foi aprovado pelo Senado na quarta-feira (14) por 75 votos a 1 nos dois turnos e estabelece a redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais 60 dias após a promulgação, caindo para 40 horas um ano depois, garantindo dois dias de descanso e sem redução salarial.
Desafios para o setor empresarial Com a nova lei, o prazo curto de adaptação representa um grande desafio de planejamento. Negócios com funcionamento contínuo ou aos finais de semana, a exemplo de hotéis, restaurantes, comércios e prestadores de serviços, enfrentarão maiores obstáculos para reorganizar os horários das equipes e controlar os custos operacionais.
O papel da gestão digital e dos softwares Diante desse cenário, a automação e os sistemas de controle de ponto e folha de pagamento tornam-se essenciais.
O presidente e cofundador da Alterdata, empresa de software de gestão empresarial, José Ronaldo da Costa, afirma que a adaptação vai além da grade de horários.
“Quando uma mudança na legislação exige reorganizar a jornada, a empresa precisa entender como isso afeta toda a operação. Não basta alterar os horários em uma planilha. É necessário avaliar a cobertura dos turnos, os custos, o controle de ponto e os reflexos na folha de pagamento. A tecnologia ajuda a reunir essas informações e permite que o gestor tome decisões com mais segurança”, diz.
Simulação de cenários e controle de custos As ferramentas tecnológicas permitem mapear lacunas de pessoal e simular diferentes formatos de jornada com antecedência. Além disso, a integração entre o departamento pessoal e o controle de frequência diminui erros em cálculos de horas extras e auxilia na projeção de novas contratações.
“Quanto mais complexa é a operação, mais importante é ter informações organizadas. Uma empresa precisa saber quais horários exigem cobertura, como as equipes estão distribuídas e qual será o impacto financeiro de cada alternativa. Sem esse controle, o risco é tentar resolver um problema de planejamento com decisões improvisadas”, afirma o executivo.
Inteligência artificial no apoio à gestão de equipes Outro recurso que ganha espaço é o uso de inteligência artificial para detectar picos de demanda e sugerir escalas mais eficientes, embora a validação humana permaneça indispensável para garantir a conformidade com as regras trabalhistas.
“A inteligência artificial pode ajudar a transformar dados da operação em informações úteis para a gestão. Se a empresa consegue identificar os períodos de maior demanda e cruzar esses dados com as jornadas de trabalho, por exemplo, tem mais elementos para planejar as equipes. Mas a tecnologia precisa ser utilizada com critérios, e os resultados devem ser avaliados por profissionais que conheçam a operação e as regras aplicáveis”, diz José Ronaldo.
Orientações para a transição nas empresas Especialistas recomendam iniciar o planejamento imediatamente por meio do mapeamento de rotinas, auditoria de sistemas e alinhamento entre os setores de RH, financeiro e contabilidade.
“Não existe uma única solução para todas as empresas. Um comércio, uma indústria e um escritório têm necessidades diferentes. O importante é conhecer a própria operação, trabalhar com dados confiáveis e avaliar os cenários possíveis antes de fazer mudanças. A tecnologia pode facilitar esse processo e ajudar a empresa a se adaptar sem perder de vista a produtividade e a qualidade do serviço”, conclui.



