31/10/2026

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Dia das bruxas histórico: quando o corpo de Stalin foi expulso de Moscou

Uma operação secreta realizada na Praça Vermelha em 31 de outubro de 1961 retirou o cadáver de Josef Stalin do mausoléu de Vladimir Lênin, marcando o ápice das tentativas soviéticas de desmantelar o regime autoritário anterior.

O fim de uma era de culto duplo

Por sete anos, o monumento de pedra situado no coração de Moscou abrigou simultaneamente os esquifes de vidro dos dois maiores líderes do comunismo soviético. A preservação do corpo de Lênin havia sido idealizada pelo Partido Comunista com o objetivo de perpetuar a imagem do pai da nação, técnica que exigia intervenções químicas constantes para evitar a deterioração.

Com a morte de Stalin em 1953, após três décadas no poder e com forte respaldo político, o governo comunista decidiu conceder ao sucessor a mesma honraria. Ambos eram vistos pelo povo como figuras complementares na queda do capitalismo e na consolidação territorial da União Soviética, o que justificou a divisão do espaço sagrado.

A derrocada do mito stalinista

O cenário político mudou radicalmente sob a liderança do primeiro-ministro Nikita Khrushchov, que promoveu a chamada desestalinização para expurgar o autoritarismo e a violência institucional do período anterior.

Em 30 de outubro de 1961, o Congresso do Partido Comunista da União Soviética aprovou de forma unânime a expulsão do corpo de Stalin do local, deixando apenas Lênin em exposição pública. O jornal The New York Times classificou a medida como um marco contra as forças que resistiam às reformas progressistas.

O testemunho decisivo e a operação

Durante as discussões do congresso, a militante bolchevique Dora Lazurkina relatou aos presentes uma suposta revelação espiritual que convenceu o partido a agir contra o antigo governante.

“Ontem, eu falei com ele novamente, como se ele estivesse diante de mim e vivo. E ele disse que era desconfortável deitar ao lado de Stalin, que prejudicou tanto o partido”, declarou Dora Lazurkina durante o congresso. O discurso foi acompanhado por aplausos contínuos e estrondosos da plateia.

Na manhã seguinte, coincidindo com a data festiva ocidental, o caixão de vidro foi retirado por uma equipe reduzida de trabalhadores, sem qualquer rito oficial. O corpo foi sepultado na Necrópole da Muralha do Kremlin, inicialmente identificado apenas por uma placa simples de mármore com as iniciais e datas, transformando-se com o tempo em mais um marco histórico da capital russa.