Eleições em Israel mobilizam eleitores após ataques de outubro
Eleitores israelenses compareceram em massa nesta terça-feira (27) para participar da primeira votação em âmbito nacional desde a ofensiva realizada pelo Hamas em 7 de outubro de 2023. A expressiva participação popular evidenciou que a motivação nas urnas ultrapassa o conflito palestino, englobando também desafios econômicos e institucionais.
Segurança e cobrança por responsabilidade
A integridade territorial sempre ocupou o topo das prioridades locais, mas o episódio de outubro intensificou as discussões. No mês de setembro, o periódico Haaretz divulgou que o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu teria recebido alertas prévios dos Emirados Árabes Unidos. De acordo com a publicação, Netanyahu teria respondido que Israel estava preparado para o que quer que acontecesse — mas dez dias depois, mais de 1.200 pessoas morreram nos ataques.
A repercussão resultou em uma rara manifestação conjunta de quatro opositores, incluindo Yair Lapid, Naftali Bennett e Gadi Eisenkot, que cobraram investigações formais contra o premiê por uma falha grave de segurança. Embora Netanyahu rejeite as acusações do jornal, o caso influenciou o cenário político nas últimas semanas de campanha.
A aliança estratégica com os Estados Unidos
O alinhamento geopolítico com Washington também atrai atenção, especialmente devido ao repasse anual de US$ 6,8 bilhões em suporte militar, que abrange armamentos, caças F-35 e defesas antimísseis. Essa dependência, segundo Lourival Sant’Anna, “incomoda os israelenses”.
Por outro lado, o analista destacou que Netanyahu possui um trunfo nesse campo: “ele foi o único líder israelense que conseguiu arrastar um presidente americano para uma guerra contra o Irã, que é o grande inimigo de Israel”. A ofensiva teria enfraquecido a economia iraniana e milícias aliadas, ao passo que Donald Trump manifestou respaldo ao chefe de governo recentemente.
Divergências internas e economia
No cenário doméstico, o atrito envolve a isenção de alistamento militar concedida aos judeus ultra-ortodoxos, aliados fundamentais do atual governo. O repasse de subsídios estatais por filho a essas famílias provoca forte oposição da parcela laica da população, que critica o fato de que tais grupos “não trabalham e passam o dia inteiro estudando nos seminários judaicos”.
A inflação e o encarecimento do custo de vida completam a lista de prioridades do eleitorado. Paralelamente, o isolamento diplomático e as sanções aplicadas por nações europeias contra companhias de colonos na Cisjordânia afetam diretamente cidadãos com laços culturais com a Europa, acirrando as divisões políticas.



