23/10/2026

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Dona da Gucci tem queda nas vendas do terceiro trimestre

A Kering informou em seu balanço financeiro divulgado na última quinta-feira (22) que o recuo na demanda global por artigos de alto padrão pressionou seus resultados no terceiro trimestre, período em que a gigante francesa busca reestruturar o desempenho de suas grifes.

Queda na receita e desempenho da Gucci

A proprietária da Gucci, Bottega Veneta e de outras marcas de luxo registrou uma retração de 1% em sua receita no terceiro trimestre, considerando a base comparável e taxas de câmbio constantes. Com o resultado, o faturamento totalizou 3,345 bilhões de euros, patamar que veio em grande parte alinhado com as previsões do mercado.

As transações comerciais na divisão de moda e artigos de couro apresentaram baixa de 3%, enquanto a Gucci, principal grife do conglomerado, experimentou uma queda de 6% nas vendas.

Impacto na China e desafios setoriais

Enquanto a administração da companhia apontou que a reformulação da Gucci avança de forma gradual, especialistas da Bernstein apontaram que o resultado ficou abaixo das projeções, refletindo um movimento desfavorável nas unidades geridas diretamente pela empresa.

O grupo parisiense figura entre os mais afetados pela retração no consumo de artigos de alto padrão, sobretudo por parte do público de entrada e dos compradores do mercado chinês.

A organização possui grande dependência desses públicos, que enfrentam restrições financeiras e retraíram os investimentos em itens de luxo. Além do momento desfavorável do setor, a companhia promove reformulações nos cargos de liderança e direção criativa em grifes como Alexander McQueen e Gucci.

“Destravar todo o potencial do grupo exige, entre outros fatores, recuperar o impulso da Gucci e executar o plano de ação na China”, declarou o diretor-presidente Luca de Meo.

“Sabemos que temos muito trabalho a fazer na China”, afirmou a diretora financeira, Armelle Poulou, em teleconferência de resultados, destacando que o desempenho no país foi um dos principais entraves do trimestre.

Perspectivas futuras para o conglomerado

Os resultados divulgados pela companhia ocorrem após alertas semelhantes emitidos por outras empresas do setor a respeito da baixa movimentação de clientes chineses, um território estratégico para o segmento. A expectativa era de que a economia local demonstrasse sinais de reação após uma fase prolongada de consumo reduzido, mas a retração financeira continua freando os compradores da região.

Poulou pontuou que o balanço trimestral ainda não reflete o patamar desejado pela corporação e que os reflexos das mudanças estratégicas em andamento ainda não aparecem com força no faturamento. A executiva também pontuou que os resultados comerciais de outubro mantiveram o mesmo patamar do trimestre anterior na maior parte dos mercados.

Diante do cenário, a empresa preservou a projeção de elevar a margem operacional recorrente ao longo deste ano, mas optou por não comentar a expectativa de retomar o crescimento em 2026, projeção que havia sido mencionada anteriormente.