Fósseis em Santa Catarina revelam segredos de mamíferos pré-históricos
Pesquisas recentes sobre pegadas fossilizadas descobertas em Turvo, no Sul de Santa Catarina, estão expandindo o entendimento científico a respeito da diversidade e do porte físico dos animais que habitavam a região durante o Cretáceo Inferior.
Como era a paisagem catarinense no passado Muito antes de adquirir a geografia atual, o território catarinense exibia um cenário árido, dominado por dunas e características de deserto. Esse antigo ambiente integrava o paleodeserto de Botucatu, na Bacia do Paraná, cujas condições geológicas favoreceram a preservação de marcas deixadas pelo trânsito de vertebrados mesmo na ausência de fósseis corporais como ossos e dentes.
Detalhes das pegadas e o modo de caminhar O material analisado consiste em duas placas de arenito oriundas da pedreira AR Mineração, em Turvo, e que hoje integram o acervo do Laboratório de Paleontologia da Faculdade de Geologia da UERJ. A análise morfológica identificou impressões com quatro dedos, curtas e arredondadas, dispostas de maneira a indicar o deslocamento de um animal quadrúpede que utilizava os quatro membros para caminhar.
A importância dos rastros para a paleontologia O grande diferencial da descoberta está nas dimensões dos vestígios, que superam todos os registros anteriores de pegadas atribuídas a Mammaliaformes na Formação Botucatu. Trata-se das maiores marcas desse tipo já documentadas no Cretáceo Inferior de Gondwana, o antigo supercontinente que deu origem a porções da América do Sul, África, Antártida e Austrália.
Limitações na identificação das espécies Apesar da relevância do achado, os cientistas ressaltam que os rastros, classificados na icnofamília Chelichnopodidae, não permitem determinar a espécie exata ou calcular com precisão o tamanho corporal do animal responsável. Fatores como a umidade do substrato original e as transformações da rocha ao longo dos milênios limitam a obtenção de maiores detalhes anatômicos.
A evolução dos mamíferos pré-históricos A descoberta de icnofósseis com dimensões expressivas reforça a tese de que a variedade de portes entre os Mammaliaformes — grupo que reúne os mamíferos e seus parentes evolutivos mais próximos da era dos dinossauros — era muito mais ampla do que se imaginava. O estudo demonstra que animais de maior porte surgiram mais cedo e com maior frequência na história evolutiva do grupo do que o evidenciado pelos registros tradicionais.



