24/10/2026

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Debate presidencial tem troca de farpas e frases marcantes entre Lula e Flávio

O último debate presidencial do segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), transmitido pela TV Globo nesta sexta-feira (23), apresentou um tom mais propositivo, mas ainda abriu espaço para confrontos diretos, ironias e trocas de acusações entre os postulantes ao Palácio do Planalto.

Debate aborda economia e segurança Ao longo dos blocos do programa, os candidatos debateram questões centrais para o país, como custo de vida, endividamento das famílias, segurança pública, saúde e saneamento básico. No entanto, o embate político também foi marcado por momentos de forte tensão e ataques pessoais.

A discussão sobre impostos e o salário mínimo No primeiro bloco, a discussão sobre o salário mínimo e a proposta de tarifa zero no transporte público aos fins de semana gerou o primeiro grande atrito. Ao ser questionado se apoiava a gratuidade, o senador respondeu afirmativamente, mas aproveitou para direcionar críticas à condução da economia pelo atual governo.

“Se você dá com uma mão, tira com os nove dedos”, afirmou Flávio.

A declaração fez referência à carga tributária e à perda de um dedo da mão esquerda de Lula em um acidente de trabalho na juventude, quando atuava como metalúrgico.

Pedido de desculpas e reação do presidente No bloco seguinte, o petista exigiu retratação pela expressão utilizada pelo adversário.

“Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos. Não vou permitir“, disse Lula.

“Ele vai ter que pedir desculpa. Porque o povo trabalhador está vendo. Milhões de trabalhadores se acidentam por irresponsabilidade patronal que obriga a gente a trabalhar em jornada que a gente não tem que trabalhar. Eu era de menor e trabalhava à noite”, continuou o presidente.

Após a cobrança, Flávio se retratou e manteve as críticas sobre a situação social do país.

“Se eu te ofendi por ter começado, eu só te peço desculpa de verdade. Não queria te ofender. Peço desculpa de verdade. Agora eu quero saber se você vai pedir desculpas para os moradores de rua que dobraram”, disse o senador.

O embate sobre a região Norte e a sugestão de busca na internet O confronto seguiu com discussões sobre investimentos públicos, especialmente na região Norte do país e em relação ao saneamento básico. Após Lula sugerir que o adversário buscasse informações online, Flávio ironizou a postura do chefe do Executivo.

“Lula, quem é que governa o Brasil? É você ou o Google?”, perguntou o senador.

A resposta veio acompanhada de críticas às ações federais na Amazônia.

“Eu conheço o Brasil. Você não conhece o Brasil. Não conhece”, retrucou Lula, sugerindo novamente a consulta digital.

“Pergunta pro Google tudo que nós fizemos no Amazonas nesses últimos anos. É só perguntar no Google pra não ficar aqui falando muito número“, sugeriu Lula.

Promessas econômicas e gestão da pandemia O endividamento das famílias e o custo dos alimentos também entraram na pauta do confronto político.

“O meu concorrente prometeu picanha e entregou abóbora. Chegou ao ponto de falar a seguinte frase: ‘Se a comida está cara, não compra’. Lula, você está achando a comida barata para o povo brasileiro que está endividado?”, questionou Flávio.

Por fim, o debate relembrou a gestão federal durante a crise sanitária da Covid-19, com críticas à condução da imunização pelo governo anterior.

“Ele inventou que quem tomasse vacina ia virar gay, virar jacaré. Ele inventou remédio para beber, a cloroquina. Muita gente morreu por irresponsabilidade. É importante que as pessoas saibam“, declarou Lula.