22/10/2026

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Estratégias para o último debate presidencial: veja a análise

O clima de reta final para o segundo turno das eleições ganha contornos decisivos com o último debate presidencial, agendado para esta sexta-feira (23). O cientista político Lucas de Aragão, da consultoria Arko Advice, projeta comportamentos distintos para os candidatos, destacando que a busca pelo eleitor indeciso deve forçar uma mudança de postura em relação aos encontros anteriores.

A postura esperada para Flávio Bolsonaro

A expectativa é que a campanha de Flávio Bolsonaro (PL) opte por uma estratégia de maior moderação no palco da TV Globo. A intenção seria evitar o desgaste causado por confrontos excessivamente inflamados. “Pelo que eu falei com a campanha, não vai ser aquele tom tão agressivo, debochado”, declarou Aragão durante o Hora H desta quarta-feira (21). O analista recorda que, no debate da Band, o candidato conseguiu dominar a pauta e desestabilizar o oponente.

O desafio de Lula e o cenário atual

Do lado petista, o analista aponta um padrão recorrente nas participações em debates: a dificuldade de seguir à risca o planejamento estratégico. “O Lula treina de um jeito e vai para o debate de outro”, observou Aragão. Além disso, a campanha de Flávio Bolsonaro deve buscar capitalizar sobre declarações de Roberta Luchsinger, um tema que, segundo monitoramentos internos, teria trazido repercussão negativa para o ex-presidente.

A busca pelo voto indeciso

Apesar do histórico de ataques, existe a possibilidade de que o nível do debate suba nesta fase final da disputa. A necessidade de atrair o eleitor indeciso pode se tornar o fator determinante para uma postura mais voltada a propostas concretas. “Talvez a gente veja dois candidatos um pouquinho mais comportados, propositivos para tentar falar com o indeciso”, afirmou Aragão.

O panorama da disputa

Embora Flávio Bolsonaro mantenha uma margem de vantagem, o cientista político ressalta que o cenário ainda é dinâmico. Ele recorda que o candidato do PT “saiu atrás com 2,2 milhões de votos no primeiro turno” e enfrenta um estoque de votos de candidatos eliminados que, majoritariamente, compõe um eleitorado antipetista.

Para reverter esse quadro, Lula foca em reduzir a abstenção nas urnas. “Ele tem que reduzir a abstenção, principalmente no Nordeste, onde é uma votação mais desequilibrada”, disse o especialista. A estratégia também inclui um esforço para captar cerca de 40% dos votos da chamada terceira via, enquanto a campanha de Flávio tentaria garantir os outros 60%.