A queda de Greg Glassman, fundador do crossfit marcado por polêmicas
A ascensão e a queda de Greg Glassman, mente por trás da criação do crossfit, revelam os bastidores turbulentos de um império multibilionário do fitness mundial. Aos 70 anos, o norte-americano construiu uma modalidade de sucesso global, mas viu sua reputação ruir em meio a escândalos corporativos, excessos pessoais e polêmicas públicas.
Superação na juventude e criação da modalidade Diagnosticado na infância com poliomielite — condição que causa perda de massa muscular e risco de paralisia —, Glassman encontrou na ginástica uma ferramenta para combater a fraqueza física. Com o passar dos anos, ele passou a desenvolver métodos próprios de treinamento, o que culminou na fundação formal do crossfit em 2000, ao lado de Lauren Jenai, com quem era casado.
O crescimento da marca foi avassalador, fazendo com que a CrossFit Inc. atingisse faturamento estimado em cerca de R$ 540 milhões por ano em 2015, espalhando filiais e praticantes por todo o planeta.
Excessos e cultura interna polêmica A derrocada do empresário e os detalhes de sua gestão foram esmiuçados no livro “The Glass Box: The Shocking True Story of How CrossFit Broke the Rules, Made Millions, and Changed Fitness Forever”, escrito pelo jornalista Calum Marsh. A obra expõe episódios de festas regadas a álcool e comportamentos inadequados.
O ex-executivo Brian Mulvaney relatou que, durante o feriado de 4 de julho nos Estados Unidos, antes de um compromisso profissional importante, o fundador sugeriu a compra de drogas e consumo de bebidas alcoólicas na sala VIP do aeroporto antes de seguirem viagem para uma reunião de negócios.
Além disso, o ambiente interno da corporação era marcado por traições. Em 2009, enquanto sua esposa estava grávida de gêmeos, Glassman teria iniciado um caso extraconjugal com a mulher do dono de uma academia afiliada. Relatos apontam que esse tipo de comportamento era recorrente na cúpula da empresa.
“Isso estava enraizado na cultura (da CrossFit Inc.) desde o início. Isso deixava algumas mulheres desconfortáveis”, afirmou Calum Marsh ao “NY Post”.
Gastos extravagantes e divórcio A separação de Greg e Lauren, oficializada em 2013, resultou em uma intensa disputa jurídica pelo controle da marca. O empresário conseguiu os recursos necessários para comprar a parte da ex-mulher e assumir o comando total da companhia.
Mesmo após o divórcio, os gastos exorbitantes continuaram. Jeffrey Cain, que atuou como CEO da empresa entre 2016 e 2019, revelou que uma única fatura mensal de telefonia chegou a custar aproximadamente R$ 1,1 milhão. Na mesma época, o executivo também oferecia anuidade gratuita para mulheres em unidades afiliadas locais.
Escândalo final e venda da empresa O ponto de ruptura na carreira de Glassman ocorreu em 2020. Após responder a uma postagem sobre racismo com a frase “É o FLOYD-19” — fazendo alusão à morte de George Floyd e à pandemia de Covid-19 —, e criticar homenagens à vítima em um áudio vazado de reunião interna, o empresário enfrentou forte boicote.
A repercussão negativa resultou na debandada de patrocinadores e no encerramento de contratos por centenas de academias ao redor do mundo, forçando a renúncia do fundador.
Pouco depois do escândalo, a companhia foi negociada com o investidor Eric Roza e com o fundo Berkshire Partners por cerca de US$ 200 milhões, o equivalente a R$ 1,1 bilhão na cotação da época.
Atualmente distante dos holofotes da grande mídia, Greg Glassman tem atuado em novos empreendimentos voltados para o setor de saúde, sendo cofundador da Broken Science Initiative em 2022 e lançando a MetFix no final de 2024, marca focada em nutrição e no combate a doenças crônicas.



