12/10/2026

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Cientistas analisam DNA da tartaruga mais velha do mundo em busca de segredos sobre longevidade

O material genético de Jonathan, uma tartaruga de aproximadamente 194 anos que vive na ilha de Santa Helena, passou a ser investigado por cientistas em busca de pistas sobre os mecanismos que mantêm as células funcionando por longos períodos. O animal, considerado o ser terrestre vivo mais idoso do planeta, apresenta variantes genéticas e características químicas associadas à preservação celular ao longo do tempo.

Metodologia de coleta e análise do genoma

Para realizar a investigação sem prejudicar o animal, os especialistas obtiveram células e saliva da parte interna da boca de Jonathan, evitando a coleta de sangue para prevenir riscos de infecção. Os dados obtidos foram complementados pelo uso de uma tartaruga mais jovem como referência na montagem do genoma.

Publicado na revista científica Science Advances, o levantamento apontou 287 genes com variantes exclusivas no réptil. Entre os processos biológicos relacionados a essas sequências estão a regulação da insulina, a reparação de danos no DNA e a atividade das mitocôndrias, organelas celulares encarregadas da produção energética.

Oportunidade rara na biologia

“Quase nunca temos a chance de estudar um animal tão velho enquanto ele ainda está vivo”, afirmou Steve Horvath, biólogo da Universidade da Califórnia em Los Angeles e coautor do estudo, em declaração ao New York Times reproduzida pela Smithsonian Smart News.

Além da genética, a equipe analisou o epigenoma do animal, examinando as marcas químicas que controlam a atividade dos genes. Embora grande parte do perfil epigenético mostrasse sinais de envelhecimento compatíveis com sua idade avançada, áreas ligadas à regeneração do DNA e às mitocôndrias exibiram um padrão surpreendentemente semelhante ao de um espécime de apenas cinco anos de idade.

Histórico e investigações paralelas

Nascido por volta de 1832 — com base em registros fotográficos que datam do período entre 1882 e 1886, ano em que chegou adulto à ilha —, Jonathan reside atualmente na Plantation House sob os cuidados de autoridades locais. No Brasil, iniciativas como o Projeto DNA Longevo, conduzido pelo Genoma USP, também buscam compreender os fatores genéticos que permitem a humanos alcançar idades avançadas com boa saúde. Os pesquisadores ressaltam que, embora o caso da tartaruga ofereça dados valiosos, novas etapas serão necessárias para determinar se esses mecanismos biológicos poderiam ser aplicados futuramente aos seres humanos.