Avião de Flávio Bolsonaro desviou do espaço aéreo brasileiro rumo aos EUA
A aeronave utilizada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para viajar aos Estados Unidos na noite da última terça-feira (27) evitou completamente o território brasileiro durante o trajeto. Dados da plataforma FlightAware apontam que o jato partiu do Paraguai e cruzou Bolívia e Peru antes de aterrissar em solo norte-americano.
A fuga e o embarque internacional O parlamentar deixou o Brasil cruzando a fronteira terrestre com a Argentina, em Foz do Iguaçu, às 22h50 da terça-feira. A partida ocorreu logo após o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinar o cancelamento de seus passaportes. Quarenta minutos depois de pisar em solo argentino, ele embarcou em um voo privado rumo a Guayaquil, no Equador, onde a aeronave fez uma parada no início da manhã de quarta-feira (28), por volta das 5h35, para abastecimento. Minutos mais tarde, o jato decolou com destino à Flórida.
Entenda o funcionamento das rotas aéreas De acordo com o especialista em segurança de voo Roberto Peterka, a navegação comercial utiliza aerovias que funcionam como rotas pré-estabelecidas no céu, cabendo ao piloto selecionar o trajeto em acordo com as nações sobrevoadas. Mesmo com a ordem do STF para a entrega dos documentos à PF, o especialista esclarece que uma interceptação não seria viável após a liberação oficial da viagem.
“Quanto a um determinado país abater ou obrigar um avião com matrícula de outro país a pousar, depois de ter autorizado o seu voo, seria uma agressão diplomática ou mesmo declaração de hostilidade”, afirmou à CNN. O modelo utilizado pelo político foi um Gulfstream G400, registrado na Argentina sob a matrícula LV-JQW. “Logicamente o voo escolhido, caso confirmado, pode ter sido um excesso de precaução.”
Detalhes da autonomia do jato A escala técnica no Equador ocorreu antes do trecho final para Miami, com decolagem às 6h20 e pouso confirmado nos Estados Unidos às 10h24. A aeronave possui capacidade de alcance de 7.778 quilômetros, limite muito próximo da distância entre a Argentina e o território norte-americano, estimada em 7.500 quilômetros.
Segundo Peterka, o avião “teoricamente” conseguiria completar o percurso sem escalas, embora o desempenho real dependa de variáveis operacionais como altitude e peso total, calculadas diretamente pela tripulação.
Uso de múltiplos documentos na viagem Ao ingressar em território norte-americano em Miami, o senador utilizou seu passaporte diplomático brasileiro, conforme apuração confirmada pela imprensa. O uso do documento ocorreu mesmo após a invalidação determinada pela PF sob ordens do STF.
A entrada nos Estados Unidos foi registrada nos sistemas públicos da U.S. Customs and Border Protection. Nas etapas anteriores da viagem, o parlamentar recorreu a um passaporte italiano para entrar na Argentina, enquanto sua esposa Fernanda e uma das filhas viajaram com documentos brasileiros, e a outra filha utilizou a cédula de identidade (RG).



