Mineração na Bahia: depósito de terras raras cresce 29%
A companhia australiana Brazilian Rare Earths anunciou uma expansão de 29% no volume total de material de altíssimo teor no projeto Monte Alto, situado no interior da Bahia. Com a atualização divulgada na última segunda-feira (26), o montante passou de 3,4 milhões para 4,4 milhões de toneladas, englobando tanto os recursos indicados quanto os inferidos.
Avanço nas categorias geológicas
A parcela de recursos indicados, que possui maior confiança geológica, registrou um salto expressivo de 41%, subindo de 2,51 milhões para 3,54 milhões de toneladas. O empreendimento fica localizado entre Jiquiriçá e Ubaíra, a cerca de 270 quilômetros a sudoeste de Salvador. O teor médio de óxidos de terras raras nesse grupo ficou em 9,87%, enquanto os recursos indicados registraram concentração média de 10,71%, conforme os dados reportados à bolsa da Austrália.
O principal motor desse crescimento foi a localização de novas zonas mineralizadas na região sul do complexo, onde os recursos indicados avançaram aproximadamente 200%, atingindo 1,9 milhão de toneladas. O novo cálculo incorpora 8,1 mil metros adicionais obtidos por meio de 33 furos de sondagem, somando-se a um banco de dados que ultrapassa 43 mil metros de perfurações diamantadas em 255 furos.
Aplicações industriais e minerais estratégicos
O projeto Monte Alto faz parte do complexo Rocha da Rocha, que também engloba o depósito Sulista, sendo a iniciativa mais avançada da empresa no país. Além de neodímio e praseodímio, essenciais para a produção de ímãs permanentes, a área abriga terras raras pesadas como disprósio e térbio. Esses elementos possuem emprego estratégico na fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, itens industriais e tecnologia de defesa. A mineradora também identificou a presença de nióbio, escândio, tântalo e urânio, cujos aproveitamentos comerciais dependem de análises futuras.
Estratégia comercial e planos para a refinaria
Enquanto revisa os números, a companhia estuda iniciar as vendas comerciais de Monte Alto de forma antecipada, sem aguardar a construção de uma unidade de processamento. O planejamento envolve uma infraestrutura simples de extração e separação física para gerar concentrado de alto teor voltado ao mercado externo. A intenção é faturar antes mesmo de colocar em funcionamento a unidade hidrometalúrgica planejada para o Polo Industrial de Camaçari, também no estado baiano.
“Ao estabelecer essa operação antes da refinaria de Camaçari, pretendemos gerar receitas antecipadas para financiar o desenvolvimento das etapas posteriores e reduzir nossa dependência de capital externo”, afirmou Bernardo da Veiga, diretor-presidente da Brazilian Rare Earths.
O estudo de viabilidade para essa fase inicial deve ser concluído até dezembro deste ano. A empresa ressalta que os números atuais refletem recursos minerais e ainda carecem de análises econômicas para a conversão em reservas definitivas, além de exigirem licenças e novas avaliações técnicas.



