Ações da Alphabet despencam 10% após resultados do terceiro trimestre
As ações da Alphabet, empresa controladora do Google, sofreram uma queda de 10% logo após o fechamento do mercado. O movimento foi motivado por um balanço que revelou resultados abaixo das projeções de Wall Street no segmento de publicidade em buscas, somado a um aumento considerável no consumo de caixa para sustentar o avanço da inteligência artificial.
Desafios com a inteligência artificial
Embora a divisão de Google Cloud tenha apresentado um desempenho robusto, com receitas que mais que dobraram em um sinal claro de adesão corporativa à tecnologia, o mercado manteve o foco na desaceleração do motor de busca tradicional. O receio é que os altos custos operacionais da nova tecnologia não sejam compensados rapidamente pelo retorno financeiro.
“Em um mercado preocupado com a possibilidade de a IA canibalizar o negócio principal, os investidores precisam ver a busca acelerando, não desacelerando”, disse Dave Wagner, gestor de portfólio da Aptus Capital Advisors.
Impacto no fluxo de caixa
A companhia sediada em Mountain View reportou um fluxo de caixa livre negativo de US$ 9,1 bilhões, frustrando analistas que esperavam um cenário próximo ao ponto de equilíbrio. O esforço para elevar a capacidade da nuvem e financiar a IA resultou em uma queima de US$ 5,9 bilhões, marcando a primeira vez em 22 anos como empresa de capital aberto que o resultado fica negativo.
“A nuvem está impulsionando os resultados, mas, até que a busca mostre que a IA é um valor agregado, as ações provavelmente continuarão sendo negociadas em baixa.”
Projeções e lucros abaixo do esperado
O lucro líquido disponível para os acionistas ordinários recuou 25%, atingindo US$ 26,17 bilhões, enquanto o lucro ajustado por ação ficou em US$ 2,67, contra a estimativa de US$ 3,02. A receita total, de US$ 127,6 bilhões, também decepcionou ao ficar aquém dos US$ 128,2 bilhões previstos pelo mercado.
A diretora financeira Anat Ashkenazi informou aos analistas que a corporação pretende elevar ainda mais os gastos de capital para 2027, superando as previsões para este ano, que já oscilam entre US$ 195 bilhões e US$ 205 bilhões. Esse cenário de investimentos agressivos coloca a empresa em um dilema: gastar o suficiente para não perder terreno na corrida tecnológica, mas sem comprometer excessivamente a saúde financeira diante da cautela dos investidores.



