PEC da segurança travada no senado e o avanço das facções no campo
A tramitação da PEC da Segurança Pública sofreu uma reviravolta no Senado Federal após divergências entre os parlamentares interromperem sua votação imediata.
O recuo no senado
A proposta chegou ao plenário com forte expectativa, mas o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, optou por retirar o texto da pauta. A aprovação na Comissão de Constituição e Justiça havia ocorrido no dia anterior, contudo, desentendimentos em torno de emendas sobre a redução da maioridade penal travaram o andamento.
“Vou tirar de pauta a PEC da Segurança Pública porque vamos aguardar os entendimentos dos senadores e das senadoras sobre o tema”, anunciou o senador.
A infiltração no agro
Apesar da pausa legislativa em Brasília, o avanço das organizações criminosas sobre as cadeias produtivas rurais continua em ritmo acelerado. A Proposta de Emenda à Constituição busca instituir o Susp e endurecer sanções contra facções, porém o problema já ultrapassou as barreiras urbanas e tradicionais.
Estudos recentes do Insper Agro Global demonstram que a atuação dos criminosos no setor produtivo tornou-se sistêmica e transnacional. Os grupos exploram desde terras e insumos até a logística de exportação.
“O agro é o grande playground do crime organizado hoje”, resumiu o pesquisador Alberto Pfeifer.
Mercado ilegal bilionário
As estimativas financeiras revelam a grandiosidade dos esquemas ilícitos atrelados ao campo. O comércio irregular de defensivos agrícolas movimenta cerca de R$ 20 bilhões anuais, enquanto a pirataria de sementes gera prejuízos de R$ 10 bilhões. Já as fraudes com combustíveis alcançam cifras expressivas de R$ 52 bilhões.
O roubo de cargas e de máquinas agrícolas também disparou, consolidando o uso de propriedades rurais para a ocultação de patrimônio e a famosa prática do gado de papel.
Riscos à exportação
Além dos prejuízos internos, a utilização de caminhões e armazéns legítimos para ocultar drogas em rotas internacionais ameaça diretamente a reputação do país no exterior. A desconfiança de compradores estrangeiros pode comprometer décadas de construção da credibilidade exportadora brasileira.
O combate efetivo exige inteligência coordenada entre diferentes órgãos governamentais e fiscalização rigorosa, pois a segurança no campo tornou-se um pilar fundamental para a economia nacional.



