Cem e doze países já aboliram a pena de morte no mundo
Nas últimas cinco décadas, o panorama global da punição capital passou por uma transformação radical e silenciosa em prol dos direitos humanos.
A expansão global da abolição Em 1977, quando a Anistia Internacional iniciou sua mobilização global, apenas 16 países haviam banido a medida, fazendo dela a regra na maioria das nações. Meio século depois, o cenário se inverteu profundamente. Atualmente, 112 países eliminaram a sentença máxima para qualquer delito, enquanto outros 32 optaram por suspender sua aplicação na prática. No total, mais de 144 nações recusam o uso da punição estatal.
O isolamento americano e os maiores executores Apesar da tendência global de erradicação, um grupo restrito mantém a prática de forma regular. A Anistia Internacional aponta dez nações que realizaram execuções anualmente nos últimos cinco anos, incluindo China, Egito, Irã, Iraque, Coreia do Norte, Arábia Saudita, Somália, Estados Unidos, Vietnã e Iêmen.
Nesse contexto, os Estados Unidos ocupam uma posição isolada. Embora contem com garantias processuais robustas e um sistema federalista que divide a decisão entre os estados, a nação norte-americana permanece como a única integrante do G7, da OCDE e de todo o bloco de democracias liberais avançadas a figurar no grupo de estados executores.
Os métodos e a opacidade em regimes autoritários Na China, maior executora mundial, a falta de transparência funciona como política de Estado, com milhares de execuções anuais mantidas sob sigilo rigoroso para fins de controle social. O Irã também registrou marcas expressivas, impulsionado por condenações ligadas ao narcotráfico e a protestos políticos. Já a Arábia Saudita recorre frequentemente à decapitação em praça pública, afetando de forma desproporcional trabalhadores migrantes.
Perspectivas e o futuro da punição capital Enquanto nações teocráticas ou autoritárias mantêm a pena por fundamentos religiosos ou estratégias de terror político, o debate nos Estados Unidos enfrenta novos dilemas éticos e práticos. Falhas nos protocolos de injeção letal e casos atípicos, como o de detentos que sobrevivem a tentativas de execução, reacendem discussões profundas sobre a viabilidade e a humanidade desses métodos na sociedade contemporânea.



