19/10/2026

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Roberta Luchsinger dizia sofrer preconceito por apoiar Lula

Antes de protagonizar atritos recentes no cenário político nacional, a empresária Roberta Luchsinger se apresentava como uma defensora convicta de pautas progressistas e alegava enfrentar a rejeição de sua própria classe social. Ligada historicamente a figuras políticas de esquerda, ela afirmava ser alvo de preconceito por manter esse posicionamento mesmo dispondo de uma vida abastada.

Promessa de repasse financeiro e queixas sobre a elite

Na época em que manifestava entusiasmo público pelo projeto político liderado por Luiz Inácio Lula da Silva, Roberta anunciou a intenção de transferir R$ 500 mil ao correligionário, montante que poderia alcançar até R$ 1 milhão. A iniciativa também incluía o leilão ou repasse de objetos de seu acervo pessoal, medida que dizia estar mobilizando outros apoiadores a seguirem o mesmo caminho.

Embora relatasse receber majoritariamente manifestações favoráveis nas redes sociais, a empresária associava a hostilidade de detratores a uma aversão histórica aos programas sociais de distribuição de renda e erradicação da pobreza.

“Eu sabia que ao declarar apoio ao Lula haveria uma reação mais forte da elite, que jamais aceitou o fato de um governo priorizar o combate à miséria”, declarou Roberta na ocasião.

Ela afirmava estar disposta a conviver com discordâncias ideológicas contanto que houvesse respeito mútuo, sustentando que suas convicções tinham como objetivo estimular a criação de empregos, acelerar o crescimento econômico e elevar o padrão de vida das camadas mais vulneráveis da população.

Processos por inadimplência e impasse com banco suíço

Enquanto articulava apoios e doações, a rotina financeira de Roberta era marcada por cobranças na Justiça paulista. Entre as pendências judiciais, figurava uma cobrança de R$ 232 mil referente a taxas de condomínio não pagas em um apartamento de luxo no bairro de Higienópolis, além de uma ação cobrando cerca de R$ 64 mil em parcelas atrasadas com uma fábrica de mobílias sofisticadas.

A respeito dessas pendências, a empresária não refutava a existência das ações e explicava que a assessoria jurídica cuidava dos trâmites, pontuando que faria a quitação mediante o estabelecimento de cifras consideradas justas.

Outra divergência envolvia a sua suposta herança bancária. Enquanto Roberta alegava que seu avô, Peter Luchsinger, detinha expressiva quantidade de ações do Credit Suisse, a assessoria oficial da instituição financeira esclareceu formalmente que Peter nunca compôs o quadro de colaboradores e nem figurava como herdeiro da entidade, criada em 1856 por Alfred Escher. O banco destacou ainda que as filhas do fundador não deixaram descendência, embora não tenha confirmado se o familiar de Roberta chegou a ser acionista minoritário.

Trajetória pessoal e articulação com partidos

Ex-passista da agremiação carnavalesca Vai-Vai e ex-esposa do ex-deputado federal Protógenes Queiroz, Roberta mantinha engajamento em causas sociais e projetos comunitários. Entre suas ações, planejou celebrar o aniversário de seis anos de sua filha, Guilhermina, com distribuição de bolo a crianças da Brasilândia, periferia paulistana, além de organizar recepções para lideranças do PCdoB.

Ao abordar questões sociais amplas, defendia o combate intransigente ao machismo, ao racismo e à homofobia. Ela também cogitou lançar uma candidatura própria para impulsionar pautas de desenvolvimento, associando a urgência de uma reformulação no quadro político aos desdobramentos institucionais do impeachment de Dilma Rousseff e da manutenção do mandato de Michel Temer.