Quem é Amauri Pinha, vizinho de Lulinha citado por lobista
O executivo Amauri Rodrigues Pinha, que lidera o Conselho de Administração da ECB (Empresa Construtora Brasil), teve seu nome envolvido em acusações públicas feitas pela empresária Roberta Luchsinger. Em declarações recentes, ela afirmou que o empresário era vizinho de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e sugeriu que essa proximidade poderia ter relação com a obtenção de contratos públicos por parte do grupo econômico.
Trajetória profissional de Amauri Pinha
Formado em engenharia eletrotécnica pela Faculdade de Engenharia Industrial e com mestrado em administração financeira pela Fundação Getulio Vargas (FGV), Pinha possui longa carreira no mercado da construção pesada. Entre 1988 e 2010, atuou na Construtora Camargo Corrêa, onde alcançou o cargo de diretor. Anos depois, de 2012 a 2014, assumiu o posto de CEO da AG-Dangote na África, parceria ligada à Andrade Gutierrez.
Antes de chegar ao comando do conselho da ECB, em janeiro de 2025, o executivo esteve à frente da consultoria ARPinha por uma década. A ECB pertence à multinacional portuguesa Mota-Engil, que adquiriu 50% da firma em 2012 e assumiu o controle total em 2025.
As suspeitas levantadas por Roberta Luchsinger
Durante entrevista televisiva, Roberta afirmou que Pinha e Lulinha mantinham reuniões frequentes e reservadas para debater negócios, inclusive em sua própria casa.
“Até onde sei, quem se tornou presidente dessa empresa no Brasil é o vizinho dele, o Amauri, o Amauri Pinha”, declarou.
A empresária também questionou o sigilo dos encontros:
“Por que não falavam na frente dos outros?”, questionou.
Apoiando-se no fato de a construtora ter conquistado contratos expressivos desde janeiro de 2025, Roberta levantou suspeitas sobre o uso da relação pessoal para viabilizar acordos com o poder público.
“A gente não ta falando de cafezinho, estamos falando de dinheiro público, de gasto público, de relações com ministro, filho, pai”, afirmou.
“Isso tem que ser questionado. O presidente da República tem que questionar”, declarou.
Apesar das falas, a empresária não apresentou provas, documentos ou registros formais que comprovem irregularidades nas negociações.
Projetos bilionários e o túnel Santos-Guarujá
A empresa ligada ao grupo Mota-Engil arrematou a parceria público-privada (PPP) para erguer e operar o túnel Santos-Guarujá, em São Paulo. Orçado em R$ 6,8 bilhões, o projeto tem aporte de R$ 2,6 bilhões da União, via Novo PAC, e R$ 2,7 bilhões do governo estadual paulista. O trajeto prevê 1,5 quilômetro de extensão — com 870 metros de trecho submerso —, ciclovia, espaço para pedestres e VLT, com previsão de entrega entre 2030 e 2031.
Além da travessia litorânea, a ECB assinou em 2025 um acordo de R$ 4,4 bilhões com a Petrobras para serviços na Refinaria Duque de Caxias (Reduc). Roberta citou ainda um volume aproximado de R$ 2 bilhões em outros contratos que teriam sido acumulados pela empresa no período recente.
Reações e declarações de delação
Em resposta, o Palácio do Planalto pontuou que o presidente Lula “desconhece inteiramente os fatos relatados” e rechaçou as alegações, tratando-as como uma investida irresponsável às vésperas de pleito eleitoral. Os representantes de Lulinha negaram desvios e afirmaram que os apontamentos são “incompatíveis com seu depoimento às autoridades”, frisando que seus vínculos com autoridades decorrem de relações pessoais históricas.
Investigada pela PF por suposto tráfico de influência, Roberta Luchsinger disse ter intenção de firmar delação premiada e fez um alerta público:
“Quero deixar mais uma vez claro, se algo acontecer comigo ou com as minhas filhas, a culpa é do Lula”, declarou.
Até a divulgação das manifestações, nenhum indício formal de ilicitude foi apresentado contra os citados.



