Lula adota tom pacífico em sabatina, mas evita responder sobre economia
Com uma postura visivelmente mais branda, o presidente da República participou de uma entrevista na noite da última quinta-feira (15) e evitou o tom combativo que costuma caracterizar sua campanha de segundo turno. A estratégia relembrou a postura adotada no ano de 2002, buscando dialogar com o eleitorado indeciso ou insatisfeito com a atual gestão.
Segurança pública e maioridade penal Um dos momentos de maior repercussão ocorreu quando o tema central foi a segurança pública, cenário onde o petista surpreendeu ao comentar sobre a legislação penal.
“Sou favorável a reduzir para 16, mas não discutindo nessa PEC”, afirmou o chefe do Executivo, defendendo que a alteração seja tratada de forma separada da Proposta de Emenda à Constituição da Segurança Pública.
Contradições sobre benefícios sociais A sabatina também levantou questionamentos a respeito da enxurrada de medidas econômicas e sociais implementadas na reta final da disputa eleitoral, gerando um impacto bilionário no orçamento público.
Durante a sabatina, o mandatário causou espanto ao alegar que não tinha ciência de que o principal programa de transferência de renda do país havia ficado três anos sem correção monetária.
“Você tinha que ver a reunião que eu tive com os meus ministros quando eu soube que o Bolsa Família estava sem reajuste há três anos”, declarou.
Questionado diretamente se realmente desconhecia o fato, o político reforçou: “Eu não sabia. É inexplicável que, no governo Lula, alguém pense em não reajustar a inflação no salário das pessoas.” Em seguida, complementou: “A gente vai dar tudo que a gente não deu.”
Economia e endividamento das famílias No campo econômico, a aposta do governo continua centrada no estímulo ao consumo e na expansão do crédito para fomentar o crescimento.
“O jeito de você resolver o problema fiscal é fazer a economia ficar crescendo”, pontuou o presidente. “Eu estou com 80 anos de idade, eu vivo isso há 50 anos, dessa briga: toda vez que alguém quer resolver o problema fiscal, o povo pobre paga. Toda vez, é o povo pobre. Eu não quero que o povo pague”, concluiu.
Verificação de fatos e cenários futuros Apesar da desenvoltura na comunicação, levantamentos realizados por entidades de checagem apontaram que boa parte das declarações feitas durante a sabatina continham imprecisões ou dados falsos, exigindo um rigor maior do eleitor na reta final da disputa eleitoral contra Flávio Bolsonaro.



