Fim da escala 6×1: conheça os países que já testam jornadas menores
O debate sobre a reformulação das jornadas laborais ganhou tração no Brasil após a aprovação pelo Senado Federal do fim da tradicional escala 6×1, projeto que visa garantir dois dias de descanso e a diminuição progressiva da carga horária máxima semanal, de 44 para 40 horas, mantendo a integridade dos salários.
Enquanto o cenário brasileiro se transforma com essa transição regulatória, diversas outras nações já experimentam formatos alternativos que desafiam o modelo corporativo tradicional. Seja por meio de testes governamentais ou de iniciativas privadas, a busca por uma melhor conciliação entre vida pessoal e profissional coloca em pauta diferentes estratégias de flexibilização do tempo de serviço.
Experiências internacionais em destaque
Diferentes governos e corporações ao redor do globo adotaram abordagens variadas para testar a viabilidade de períodos de expediente mais curtos, cujos resultados ajudam a dimensionar os impactos na rotina produtiva.
Islândia O país nórdico ganhou notoriedade global ao implementar testes de diminuição de horas em diversos setores, associando os experimentos à preservação da produtividade e ao incremento na qualidade de vida dos empregados. Posteriormente, acordos setoriais facilitaram o acesso a jornadas reduzidas, embora o modelo não seja obrigatório para toda a população.
Bélgica Uma legislação aprovada em 2022 viabilizou que profissionais elegíveis concentrem suas atribuições semanais em um período de quatro dias, mediante pactuação direta com a chefia. A principal especificidade é que a carga horária total permanece inalterada, exigindo turnos diários mais extensos.
Nova Zelândia e Reino Unido Ambos os territórios serviram de palco para testes em empresas de múltiplos segmentos com a semana de quatro dias sem redução proporcional de vencimentos. Os índices apontaram avanços no bem-estar, embora a adoção continue dependente de diretrizes internas de cada corporação e não de legislações nacionais impositivas.
Japão, Alemanha, África do Sul e Espanha No Japão, a flexibilização surgiu como resposta aos impasses demográficos e à busca por equilíbrio rotineiro, esbarrando ainda na cultura de longas jornadas. Na Alemanha, um projeto-piloto finalizado em 2024 avaliou os reflexos organizacionais e permitiu que parte dos negócios mantivesse o formato. Já a África do Sul e a Espanha integraram testes focados prioritariamente na adaptação setorial e na eficiência operacional sem prejuízo aos trabalhadores.
Cronograma e regras da mudança no Brasil
A Proposta de Emenda à Constituição responsável por remodelar o sistema trabalhista brasileiro foi validada em dois turnos pelo plenário em 14 de outubro de 2026, obtendo 75 votos favoráveis e apenas um contrário. O texto aguarda promulgação pelo Congresso Nacional e, por se tratar de uma PEC aprovada em idêntico teor nas duas Casas, dispensa a sanção presidencial.
A implementação ocorrerá de forma escalonada. Sessenta dias após a publicação oficial, o teto semanal passará de 44 para 42 horas, mantendo o limite diário de oito horas e garantindo o repouso duplo. Após o período de um ano e dois meses da promulgação, o patamar definitivo de 40 horas semanais passará a vigorar em todo o território nacional.
Impactos setoriais e exceções legais
A nova regra difere do conceito de semana de quatro dias trabalhados e três de folga, configurando primariamente o sistema 5×2 com garantias expressas de descanso, inclusive para os empregados domésticos. O texto assegura que pelo menos uma das folgas ocorra preferencialmente aos domingos.
Atividades essenciais amparadas por legislações específicas e acordos coletivos, a exemplo do regime de 12 horas de labor por 36 horas de descanso, mantêm-se inalteradas para assegurar a continuidade operacional em áreas vitais como saúde e segurança.
O único voto desfavorável no Senado partiu do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). De acordo com as informações fornecidas, Mourão argumentou que a mudança precisará ser acompanhada para evitar possíveis prejuízos econômicos a longo prazo. Ele também defendeu o fortalecimento das negociações coletivas por setor.
O ímpeto político e social para a alteração normativa teve como marco a atuação da articulação conhecida como movimento VAT, encabeçada pelo ativista Rick Azevedo, evidenciando as demandas populares por melhores condições de descanso e saúde no ambiente corporativo.



