Família de Chapecó tem 24 professores em quatro gerações
A paixão pela docência virou uma tradição familiar que já dura quatro gerações em Chapecó, no oeste de Santa Catarina. Ao todo, 24 pessoas da família Bianchi — sendo 21 mulheres e três homens — escolheram a sala de aula como vocação e espaço de trabalho, atuando em instituições públicas e particulares de municípios como Chapecó, Nova Itaberaba e Campo Erê.
As origens da trajetória na educação O marco inicial dessa jornada ocorreu quando três irmãs decidiram seguir a carreira docente, acabando por incentivar outros parentes a adotarem o mesmo caminho profissional ao longo dos anos.
Entre as principais pioneiras dessa história está Maria Isolina Michelon Bianchi, atualmente com 97 anos. Professora aposentada, ela atuou por quase três décadas em escolas do interior de Chapecó e de Arvoredo, precisando de muita criatividade e dedicação nos primórdios da profissão.
Após ser aprovada em concurso público, Maria Isolina lecionou em locais improvisados, como uma igreja e até mesmo uma estrebaria, adaptando-se às limitações estruturais da época para garantir o acesso dos alunos ao aprendizado.
A renovação do compromisso docente O exemplo deixado por Maria Isolina abriu caminho para que novos parentes abraçassem a carreira, a exemplo da sobrinha Elizandra Bianchi Casarotto, que exerce a docência há 24 anos na educação infantil e enxerga na profissão uma forma de conexão com as raízes familiares.
Para Elizandra, a atuação em sala de aula demanda constante adaptação às transformações sociais e às novas gerações de estudantes. “Os tempos mudam, as gerações vêm e a gente tem que ir acompanhando essas mudanças”, afirma a professora, valorizando a imaginação e as brincadeiras típicas da infância.
Além disso, ela ressalta a importância de cultivar vínculos estreitos com os estudantes para promover um ensino verdadeiramente transformador. “Sem o afeto, sem os laços afetivos a gente não consegue construir uma educação que de fato mude vidas e transforme vidas”, destaca.
Inspiração dentro de casa O forte apelo da docência também alcançou Micheli Fernanda Prigol Bianchi, que é casada com o irmão de Elizandra e sobrinha de Maria Isolina. Vinda do interior e enfrentando dificuldades financeiras para cursar a faculdade, ela encontrou nos exemplos da família o estímulo necessário para persistir no sonho de lecionar.
“Vendo as pessoas da família que já tinham essa formação e essa carreira, e vendo elas felizes nessas carreiras, essa minha vontade de ser professora aumentou”, relata.
Com 15 anos de experiência na área, Micheli pontua que o suporte e a vivência compartilhada com as demais educadoras da família foram fundamentais para consolidar sua paixão pelo ensino e fortalecer sua trajetória profissional.
Tradição e resiliência na sala de aula Unindo as lembranças do tempo em que ensinar exigia improvisação e os desafios cotidianos da educação moderna, os integrantes da família Bianchi mantêm firme o propósito de formar novas gerações, perpetuando um legado construído com afeto, vocação e união familiar.



