16/10/2026

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Lula diz que Estados Unidos precisam mais do Brasil e alerta sobre tarifas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os Estados Unidos dependem mais do Brasil do que os brasileiros dependem dos americanos, ressaltando que o governo federal poderá adotar medidas de retaliação caso seja necessário na disputa comercial entre as nações. A declaração foi concedida nesta quinta-feira (15) durante uma entrevista à Globo.

Relação comercial e divergências com Trump

Ao comentar os diálogos com o presidente americano Donald Trump, o chefe do Executivo brasileiro classificou o relacionamento como civilizado, apesar das recentes tensões econômicas. Lula relatou que houve três reuniões com Trump, incluindo uma ligação telefônica que durou quatro horas e meia.

O presidente destacou que representantes dos dois governos mantiveram conversas na mesma semana da entrevista e expressou otimismo sobre a possibilidade de um entendimento. No entanto, o mandatário pontuou que o país não hesitará em mudar de postura caso as tratativas não avancem: “Não adotei a linha da reciprocidade imediata porque quero continuar negociando. Mas, se for necessário, faremos isso”.

Diversificação das exportações brasileiras

Para sustentar seu argumento sobre a relevância econômica nacional, Lula apontou o avanço do comércio brasileiro com outras nações. Apesar de uma retração de 9% nas trocas com os Estados Unidos, o governo registrou alta de 20% com a China, 16% com a Alemanha, 15% com a Indonésia e 13% com o Vietnã, além de um crescimento médio de 0,5% nas relações com outros 50 países visitados pela gestão.

O presidente também mencionou um recorde de superávit comercial e reforçou que o mercado norte-americano consiga itens fundamentais produzidos no território nacional: “Nós temos produtos de que eles precisam mais do que as coisas que nós precisamos deles”, declarou, antes de acrescentar: “Então, quem deve estar preocupado conosco neste momento são os Estados Unidos”.

Segurança pública e cooperação internacional

O encontro com a imprensa também pautou o debate sobre segurança e a intenção dos Estados Unidos de classificar facções brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), como organizações terroristas. Para Lula, a motivação principal desses grupos é financeira, diferenciando a atuação das facções do terrorismo de Estado.

Apesar da ressalva, o presidente admitiu o forte impacto da criminalidade no cotidiano da população: “Temos consciência de que, aqui no Brasil, esses grupos são terroristas para as comunidades, para as famílias e para as cidades, mas não se trata de terrorismo de Estado, como os EUA querem classificar”, afirmou. Como alternativa, o governo apresentou uma proposta por escrito de cooperação mútua baseada na expertise da Polícia Federal.

Ações federais contra o crime organizado

No âmbito interno, Lula defendeu uma atuação mais enérgica da União por meio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para delimitar atribuições federais no combate à criminalidade, estabelecendo o papel e o orçamento de instituições como a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Penal.

O plano do governo também envolve o financiamento de 138 presídios de segurança máxima em todo o país para isolar lideranças criminosas e impedir que continuem operando de dentro dos estabelecimentos prisionais, visando enfraquecer o controle de facções sobre serviços essenciais e o recebimento de benefícios sociais nas comunidades: “Queremos asfixiar o crime organizado e libertar os territórios”, declarou.