16/10/2026

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Vazamento de dados bate recorde no Brasil e custa R$ 7,44 milhões por ataque

O custo médio de uma violação de dados no Brasil chegou a R$ 7,44 milhões em 2026, estabelecendo o maior valor já registrado na história do país. O levantamento faz parte do relatório anual Cost of a Data Breach, divulgado nesta quinta-feira (15) pela IBM, com condução do Ponemon Institute. A pesquisa analisou 602 organizações em 16 regiões e países que sofreram incidentes entre março de 2025 e fevereiro de 2026, apontando um aumento de 3,5% em relação aos R$ 7,19 milhões contabilizados no ano anterior.

Setores mais afetados e portas de entrada

Dentro do cenário nacional, o segmento de saúde lidera o ranking de prejuízos mais altos, registrando um custo médio de R$ 12,55 milhões por violação. Na sequência aparecem o setor de tecnologia, com R$ 8,96 milhões, e a área de serviços, com R$ 8,63 milhões. No que diz respeito às formas de invasão, o phishing — que abrange golpes por voz e mensagens via SMS — e o comprometimento da cadeia de suprimentos lideraram como as principais portas de entrada, somando 16% dos incidentes cada e gerando custos médios de R$ 7,93 milhões e R$ 7,32 milhões, respectivamente.

Além disso, fatores internos elevaram os gastos das companhias. A complexidade dos sistemas de segurança adicionou R$ 645,2 mil ao prejuízo de cada ocorrência, enquanto o uso de aplicações não autorizadas por colaboradores, conhecido como shadow IT, encareceu o processo em R$ 720,3 mil.

O papel estratégico da inteligência artificial

A adoção de tecnologias de defesa faz diferença expressiva nos resultados financeiros das corporações. Empresas brasileiras que utilizam inteligência artificial e automação de maneira ampla na segurança cibernética apresentaram um custo médio 30% menor. Em contrapartida, nas instituições que não implementam essas ferramentas, o valor sobe para R$ 8,69 milhões, ultrapassando em mais de R$ 2,6 milhões o montante do primeiro grupo.

Globalmente, a inteligência artificial também transformou a dinâmica dos ataques, sendo utilizada em uma a cada quatro ameaças maliciosas, o que representa um salto de 56% em relação ao levantamento prévio. Cada incidente desse tipo gera um custo extra médio de US$ 1 milhão.

“A economia dos ciberataques está mudando radicalmente. A inteligência artificial permite aos criminosos automatizar etapas, explorar vulnerabilidades em maior escala e acelerar ataques a um custo cada vez menor”, afirma o líder em serviços de cibersegurança para a IBM Consulting na América Latina, Nicolas Mucci.

Medidas de mitigação e prevenção

O estudo destaca que a demora na resposta eleva exponencialmente as perdas financeiras. “Quanto mais tempo uma falha permanece sem correção, maior a probabilidade de exploração e maior o esforço necessário para conter as ameaças”, completa Mucci.

Do ponto de vista da proteção, a realização de testes de segurança ofensivos, que simulam invasões reais, proporcionou uma economia média de R$ 579.422 por incidente. Logo depois surgem a criptografia, gerando uma redução de R$ 478.111, e a gestão eficiente de credenciais, com economia de R$ 454.700. Apesar da eficácia comprovada, apenas 37% das organizações atingidas em todo o mundo realizavam a criptografia de dados sensíveis.