Desterro Rugby planta semente para o futuro do rúgbi em Florianópolis
Um dos maiores clubes de um esporte pouco divulgado no Brasil é de Florianópolis, completou 30 anos de história e tem apostado na formação de novos atletas. O Desterro Rugby, referência na modalidade e com três títulos brasileiros na estante, tem cada vez mais jovens conhecendo as regras, praticando e reforçando o potencial da equipe em desenvolver talentos.
No campo cedido pela UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) no bairro Tapera, em meio aos eucaliptos, a equipe treina três vezes por semana e busca descobrir talentos e reforçar os valores que o rúgbi tem. Segundo o técnico Sami Dubena, da categoria sub-15 masculina, o esporte ensina mais do que técnica, mais do que ganhar ou perder.
“O clube tem várias categorias, da base ao profissional, com atletas na seleção brasileira, e a gente tenta trabalhar os valores do rúgbi, que são disciplina, respeito, integridade, paixão e solidariedade com os jovens. Tem a questão do alto rendimento e aperfeiçoamento, mas os valores são para a vida”, destaca.
Entre no grupo
Ao lado de Sami, o técnico argentino Germán Dubini veio de São Paulo para Florianópolis em busca de um clube para os filhos treinarem e hoje auxilia na formação da nova geração da equipe.
“A ideia é começar a crescer. O Desterro é um clube de 30 anos com um projeto bem bacana. Estamos com atletas de base, de 7 a 15 anos, começando a acreditar no rúgbi no Brasil. Nossa ideia é que o esporte seja cada vez maior”, afirma Dubini.
Pouca visibilidade gera dificuldades
Advogado e presidente do clube, Nikolas Bottós tem enfrentado desafios na condução do Desterro, já que há anos a equipe tenta uma sede própria com campo e outras áreas. As dificuldades em uma modalidade que tem muitos praticantes, mas pouca visibilidade, são muitas.
“O Desterro foi três vezes campeão brasileiro, teve atleta nas Olimpíadas do Rio, e a gente conseguiu reativar a base com apoios públicos e privados e a contribuição das pessoas que vivem o rúgbi. O esporte amador no Brasil sempre tem dificuldade e a gente conta com o apoio da UFSC, que nos cede esse espaço. Hoje estamos preparando o clube para os próximos 30 anos com esses jovens que abraçaram o rúgbi”.
Na Tapera, o investimento na formação também tem levado jovens da própria comunidade a conhecer e já se destacar na modalidade. Ana Carolina, a Cacau, é capitã da equipe sub-15 feminina e hoje não se vê sem o esporte.
“Comecei há um ano quando recebi um convite na praia, no Campeche, e foi onde tudo começou. O Desterro representa tudo, é uma família que me dá todo o apoio no esporte”, resume.
Desterro oferece aulas gratuitas
O Desterro Rugby conta com aulas gratuitas nas tardes de quarta-feira e sábado de manhã para as categorias menores. Ex-jogadora do próprio clube e agora técnica da base feminina, Vanessa das Chagas reforça a necessidade de apoio ao projeto.
“O time juvenil joga a semifinal do Campeonato Brasileiro dia 31 aqui em Floripa, com atletas de até 19 anos. O clube tem histórico de títulos muito grande nas categorias adultas e estamos com categorias de base bem grande para formar mais atletas. Hoje a gente não tem muito apoio, até porque grande parte das competições é em São Paulo.”



