Direita mantém força, mas oposição avança na nova composição da Alesp
A Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) se prepara para uma transformação significativa em sua configuração a partir de 2027. O cenário aponta para alterações na representação partidária, um avanço na presença feminina e de parlamentares negros, além da consolidação de correntes políticas voltadas a pautas ideológicas específicas.
Governo mantém maioria consolidada O Partido Liberal (PL) assegurou a maior bancada da Casa, saltando de 21 para 27 parlamentares eleitos. Enquanto isso, o Partido dos Trabalhadores (PT) figura na segunda posição com 16 representantes, dois a menos que na legislatura anterior. No campo oposicionista, o grande destaque foi o crescimento do PSOL, que saltou de cinco para nove cadeiras.
Apesar do avanço da oposição, o governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) continuará contando com sustentação sólida no Legislativo. A base governista deve reunir cerca de 60 deputados estaduais, englobando legendas como PSD, Republicanos, MDB, Podemos, PP e União Brasil. Somadas, essas siglas totalizam 62 das 94 vagas disponíveis, garantindo condições favoráveis para o Palácio dos Bandeirantes aprovar suas pautas.
Diversidade ganha espaço no parlamento A nova legislatura também registrará avanços na representatividade demográfica. O total de mulheres eleitas atingiu 28, o equivalente a 29,79% do plenário.
No quesito racial, levantamentos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que 18 parlamentares se declararam pretos ou pardos, alcançando 19,15% das cadeiras. Esse grupo é formado por nomes de diferentes correntes ideológicas, contemplando desde parlamentares ligadas ao PL até representantes do campo progressista.
O fenômeno dos deputados de opinião Outra marca da próxima legislatura será a expansão dos chamados “deputados de opinião”, cuja votação decorre da defesa de bandeiras específicas ou forte atuação digital. Esse grupo deve saltar de 21 para pelo menos 31 parlamentares, representando um crescimento de 48%.
Entre os exemplos de destaque está Eduarda Campopiano (PL), eleita com 1,9 milhão de votos após uma campanha massiva nas redes sociais. Do outro lado do espectro político, o PSOL também emplacou nomes com forte apelo junto a bases eleitorais específicas, a exemplo de Sofia Favero, que obteve 407.773 votos.
Desafios e perspectivas para o próximo mandato Com uma oposição ampliada para 28 parlamentares — somando PT, PSOL e PSB —, os debates legislativos tendem a ganhar maior intensidade. Embora os governistas mantenham o controle numérico para aprovar projetos e o orçamento, a nova bancada oposicionista terá mais espaço para fiscalizar e propor alternativas.
O funcionamento da Casa a partir de 2027 dependerá diretamente da habilidade de articulação dos blocos e da postura dos novos legisladores no cotidiano político estadual.



