Hemmer relança chucrute clássico para impulsionar meta bilionária da Kraft Heinz
A centenária marca catarinense Hemmer colocou novamente o chucrute em suas prateleiras, marcando um movimento estratégico que coloca as conservas no centro do plano da Kraft Heinz para duplicar seu faturamento bilionário no Brasil até 2030. O produto icônico que deu origem à empresa há mais de um século retornou ao mercado durante a Oktoberfest Blumenau 2026, após passar cerca de quatro anos ausente do portfólio oficial.
Estratégia de expansão no mercado de conservas
Com a reintrodução do vegetal fermentado, a companhia fortalece sua presença no setor de conservas e vegetais, considerado fundamental para o crescimento do grupo multinacional. A aquisição da fabricante catarinense ocorreu em 2021, integrando o negócio a um ecossistema que já contava com gigantes como Heinz, Quero e BR Spices, período em que a corporação alcançou um faturamento de R$ 4 bilhões em 2025.
O direcionamento comercial busca ocupar espaços específicos de mercado enquanto diversifica o alcance dos consumidores. “É um território ocupado só por Hemmer. [O plano de crescimento] também é complementado com uma proposta mais acessível versus Heinz em ketchup, maionese e mostarda”, detalha Marcus Souza, diretor de canal direto da Kraft Heinz Brasil, ao ND Mais.
O peso da tradição e a força regional
A decisão de resgatar o chucrute surgiu por meio da escuta ativa do público e do forte apelo regional do produto. Informações da Scanntech apontam que 98% do mercado nacional de chucrute concentra-se na Região Sul, movimentando R$ 3,6 milhões e 148 toneladas ao longo de 12 meses.
A fabricação continua ocorrendo no bairro Badenfurt, em Blumenau, onde a empresa mantém sua estrutura histórica fundada em 1915 pelo imigrante alemão Heinrich Hemmer, que iniciou o negócio cultivando repolho e transportando o alimento em carroças. Atualmente, a unidade fabril emprega 400 trabalhadores diretos e outros 400 indiretos.
“A Hemmer se conecta com a tradição, as pessoas se conectam com isso. A gente continua sendo uma fábrica que produz conservas, mas a gente tem esse apreço pelo sabor. E, obviamente, modernizando a nossa fábrica, para continuarmos competitivos no mercado”, destaca Naiara Del Rio, gerente de fábrica da Hemmer em Blumenau.
Novidades na linha zero açúcar e avanço do segmento
Além do resgate histórico, a empresa reformulou a linha Hemmer Zero, que engloba ketchup e mostarda com embalagens de rótulos pretos para simplificar a visualização do consumidor. O lançamento acompanha a alta na demanda por itens sem açúcar, setor que saltou 142% em valor entre abril e o mesmo período de 2026, impulsionado majoritariamente pelo ketchup Zero, responsável por 84% dessa alta conforme dados da Nielsen.
No mesmo período, a Heinz conquistou 66,8% de participação no mercado de ketchups sem açúcar em apenas cinco meses de vendas, enquanto a soma das marcas Heinz e Hemmer atinge 76,6% do setor no país. A meta da multinacional é fazer com que a versão zero açúcar represente 20% do volume total de ketchups da marca principal em até dois anos.
“A gente continua sendo uma fábrica empregadora, super importante para Blumenau. Ao mesmo tempo, a gente aumentou o nosso poder de chegar na ponta e distribuir com a aquisição da Kraft Heinz. Nos dá mais força para conseguir cada vez mais investimentos e continuar crescendo”, conclui Naiara Del Rio, gerente de fábrica da Hemmer em Blumenau.



