14/10/2026

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Fumaça densa sufoca Manaus e autoridades apontam ação criminosa na Amazônia

A cidade de Manaus completou cinco dias consecutivos registrando a pior qualidade do ar entre todas as capitais brasileiras. Coberta por uma densa camada de fumaça originada pelas queimadas na Região Norte, a capital do Amazonas atingiu a marca de 158 no Índice de Qualidade do Ar (AQI), patamar considerado insalubre pelas autoridades sanitárias.

Impacto na saúde e dados alarmantes

O monitoramento internacional revelou que a concentração de micropartículas PM2.5 chegou a 65.5 µg/m³, índice que supera em 13,1 vezes o limite anual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Paralelamente, os termômetros na região alcançaram os 37°C associados a uma baixa umidade relativa do ar. Diante desse cenário crítico, especialistas recomendam que os moradores evitem a prática de exercícios físicos ao ar livre, utilizem máscaras de proteção ao transitar pelas ruas e mantenham as janelas das residências vedadas.

Avanço das chamas na Região Norte

Os registros do Programa Queimadas, vinculado ao INPE, mostram um aumento expressivo de 58% nos focos de calor em todo o bioma amazônico em comparação com o ano anterior, totalizando 37.035 ocorrências. No acumulado até 12 de outubro, a Região Norte contabilizou 38.050 focos de calor. O Pará lidera as estatísticas nacionais com 16.115 registros, o que representa um salto de 120%, enquanto o Amazonas soma 7.815 focos, alta de 116% em relação a 2025. Dados do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) indicam ainda que, nos primeiros dez dias de outubro, o território amazonense experimentou uma disparada de 271% nos incêndios, saltando de 372 para 1.380 casos.

Investigação federal e força-tarefa

O agravamento da crise resultou na decretação de situação de emergência em pelo menos 36 municípios amazonenses pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR). O ministro do Meio Ambiente e do Clima, João Paulo Capobianco, sobrevoou a região de Autazes e definiu o panorama climático local como “mais grave do que ele imaginava”. Do total de ocorrências recentes mapeadas pelo Censipam, 1.186 foram registradas em áreas públicas, enquanto apenas 93 incidiram sobre propriedades privadas. Para o ministro, a concentração de focos em zonas de preservação e de acesso restrito evidencia a ocorrência deliberada de crimes ambientais. “É fundamental que esses indivíduos que estão agindo criminosamente vejam que serão punidos”, declarou o ministro.

Como resposta integrada, uma força-tarefa composta por 250 brigadistas federais do Ibama — auxiliados por outras equipes em deslocamento e aeronaves — já extinguiu 236 incêndios no estado, mantendo o combate a outros 22 focos ativos. A operação também recebeu o reforço de 30 profissionais enviados pelo Governo do Estado de São Paulo, integrando 25 bombeiros e agentes da Defesa Civil especializados no combate direto às chamas.

Cobranças da justiça e medidas locais

A gravidade da poluição atmosférica levou a Justiça a exigir respostas imediatas. A juíza federal Mara Elisa Andrade, titular da 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, estabeleceu o prazo de dez dias para que a União, o Ibama, os governos estaduais do Amazonas e do Pará, além do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), apresentem esclarecimentos detalhados sobre as operações de combate ao fogo.

No âmbito municipal, a Prefeitura de Manaus determinou a suspensão das aulas na rede pública de ensino e cancelou todas as atividades coletivas e esportivas ao ar livre, incluindo eventos tradicionais como a Feirinha do Boi Manaus no sambódromo e programações no Parque Municipal do Idoso. Em nota oficial, a administração municipal reiterou que o monitoramento da atmosfera permanece constante: “A retomada das atividades será definida com base na evolução das condições ambientais, adotando as medidas preventivas necessárias para garantir a segurança, a saúde e o bem-estar da população”.