Justiça italiana marca data para decidir extradição de Carla Zambelli
A Justiça italiana agendou para o dia 29 de outubro um novo julgamento para definir a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli para o território brasileiro. O procedimento ocorre após uma reviravolta jurídica que anulou o andamento anterior do processo, exigindo que a tramitação recomece a partir da primeira instância.
Entenda o caso da perseguição armada
O processo que será avaliado no final de outubro refere-se à condenação da ex-parlamentar pelo Supremo Tribunal Federal a cinco anos e três meses de prisão. A pena foi imposta devido a um episódio na véspera do segundo turno das eleições de 2022, na capital paulista, quando Zambelli perseguiu o jornalista Luan Araújo armada pelas ruas do bairro dos Jardins após um ato político.
A condenação no STF foi consolidada por nove votos a dois pelo crime de porte ilegal de arma de fogo e por dez votos a um por constrangimento ilegal com emprego de arma. Para embasar o pedido de extradição enviado às autoridades europeias em junho de 2026, o relator do caso na Corte suprema brasileira, ministro Gilmar Mendes, enviou documentação detalhando garantias como acesso a advogados, familiares e à representação diplomática italiana, além de estipular o cumprimento da pena na Penitenciária Feminina de Brasília.
Posicionamento e estratégias da defesa
Os representantes legais da ex-deputada mantêm a expectativa de que o pedido seja negado novamente. O advogado Eduardo Maurício argumenta que há falhas processuais e aponta supostas violações de direitos humanos, além de sustentar que as condenações brasileiras decorreriam de perseguição política e parcialidade de ministros do STF.
Como parte da estratégia jurídica, a defesa prepara duas revisões criminais e dois pedidos para excluir o nome de Zambelli da Interpol.
Histórico de extradição na Itália
Este representa o segundo pedido de extradição analisado pela Justiça italiana em 2026. Anteriormente, em maio, a Corte de Cassação rejeitou o pedido vinculado à condenação de Zambelli por invasão aos sistemas do Conselho Nacional de Justiça, episódio em que foi inserido um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, o tribunal italiano avaliou que o magistrado atuou em dupla condição, como julgador e como vítima do crime. Com o revés daquele pedido, a ex-deputada deixou a prisão em Roma na qual estava detida desde julho de 2025, aguardando agora o desdobramento do novo julgamento marcado para outubro.



