Violência sexual infantil: Brasil entre os países com mais denúncias na internet

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Estudo revela números preocupantes sobre violência sexual contra crianças e adolescentes. – Foto: Freepik

Um estudo global realizado entre 1990 e 2023 aponta que 17,7% das meninas e 12,5% dos meninos sofreram abuso sexual na infância ou adolescência, incluindo relações forçadas ou toques de conotação sexual. Embora esses índices sejam alarmantes, são inferiores aos registrados em alguns países vizinhos, como Chile e Costa Rica, onde os números ultrapassam 30% em meninas.

No Brasil, o cenário também é preocupante, especialmente no ambiente digital. Entre 2022 e 2024, o país subiu da 27ª para a 5ª posição no ranking mundial de denúncias de abuso sexual infantil pela internet, conforme relatório da rede internacional InHope. A entidade SaferNet, parceira do Ministério Público Federal, contabilizou mais de 50 mil páginas reportadas nesse período, com denúncias envolvendo vítimas estrangeiras encaminhadas para autoridades internacionais.

Especialistas alertam que o número real de casos pode ser ainda maior devido à subnotificação causada por medo, vergonha e estigma. No Brasil, fatores como desigualdade social, pobreza e instabilidade familiar aumentam a vulnerabilidade das crianças.

Dados do Ministério da Justiça indicam que, em 2024, foram registrados cerca de nove casos de estupro por hora, totalizando ao menos 78.395 ocorrências no ano, com a maioria das vítimas sendo mulheres.

As consequências do abuso vão além do trauma imediato, podendo levar ao desenvolvimento de depressão, ansiedade, abuso de substâncias e dificuldades de aprendizado. A psicóloga Cláudia Melo destaca que muitas vítimas enfrentam problemas emocionais profundos que afetam sua vida cotidiana.

Apesar da existência de leis como o Estatuto da Criança e do Adolescente e o Plano Nacional de Enfrentamento à Violência contra Crianças e Adolescentes, a aplicação desses instrumentos ainda enfrenta desafios, principalmente em áreas remotas, onde faltam recursos e equipes especializadas.

O combate à violência sexual infantil exige ações integradas que envolvam prevenção, atendimento qualificado e responsabilização dos agressores, especialmente diante do aumento dos casos tanto no mundo físico quanto no digital.