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Brasil

Gigantes do luxo global enfrentam queda nas vendas enquanto o consumo muda

Comportamento de compra se transforma com foco em experiências e peças com história própria em vez de logotipos.

O novo luxo não cabe mais em uma etiqueta

O mercado global de alto padrão atravessa uma fase de transição profunda, impulsionada por mudanças no comportamento dos consumidores e por novas prioridades de consumo que vão muito além de simplesmente adquirir marcas famosas.

Queda nos resultados financeiros

Durante décadas, os grandes conglomerados internacionais de luxo pareciam ter encontrado uma fórmula quase infalível: transformar tradição em desejo, desejo em exclusividade e exclusividade em preços cada vez mais elevados. Mas os resultados recentes mostram que essa equação já não funciona com a mesma facilidade.

No terceiro trimestre de 2026, a divisão de Moda e Artigos de Couro da LVMH registrou retração orgânica de 5%; no mesmo período, a Gucci, principal marca da Kering, recuou 6% em vendas comparáveis. Na Richemont, as relojoarias especializadas tiveram queda de 4% na receita reportada no exercício encerrado em março de 2026, enquanto outras áreas do grupo, especialmente joalheria, mostraram maior resistência.  

O novo perfil do consumidor

O público atual demonstra maior interesse por viagens, gastronomia, música e vivências marcantes, que passam a disputar espaço com os tradicionais objetos de desejo. O acabamento, a história, a autoria, a raridade e a permanência continuam importando, mas já não bastam logotipos para contar uma boa história.

Essa nova perspectiva se reflete na escolha de itens de arquivo e no fortalecimento do mercado de revenda, onde a busca por singularidade, origem e trabalho artesanal ganha força diante da produção em massa e da inteligência artificial.

Tensões sociais e econômicas

Enquanto a indústria tenta recuperar o fôlego comercial, o cenário urbano exibe outras dinâmicas, com jovens europeus participando de protestos voltados a temas como custo de vida e moradia. A proximidade visual entre manifestações diante de boutiques de grife e o debate sobre desigualdade evidencia o abismo entre o consumo ostentatório e a realidade econômica de parte da sociedade.

Diante desse cenário, a indústria precisa adaptar suas estratégias para dialogar com um público mais crítico, que busca significado e autenticidade acima de qualquer símbolo tradicional de status.