Mãe do rapper Oruam deixa a prisão e vai para prisão domiciliar
Decisão do Supremo Tribunal Federal determinou o uso de tornozeleira eletrônica para a suspeita de envolvimento com facção

Márcia Gama, esposa de Marcinho VP, apontado como líder do Comando Vermelho, e mãe do rapper Oruam, deixou o Presídio Djanira Dolores de Oliveira, localizado em Bangu, neste domingo (8). A liberação ocorreu após uma determinação do STF (Supremo Tribunal Federal) que concedeu a transferência dela para o regime domiciliar, com o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica instalada por agentes da Seppen (Secretaria de Estado de Polícia Penal).
Operação da Polícia Federal
A detenção de Márcia havia ocorrido no mês passado durante uma ação da PF (Polícia Federal) voltada para desmantelar uma rede criminosa ligada à mesma facção. A investigação aponta que a organização criminosa recorria a armamentos e intimidações para estabelecer o monopólio da distribuição de internet em regiões como os complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão.
Além dela, a ofensiva policial também resultou nas prisões do vereador carioca Fabio Silva (Podemos) e de Lucas Santos Nepomuceno, irmão do artista. Marcinho VP, que já cumpre pena, também figurou como alvo dos mandados expedidos.
Esquema da internet do crime
De acordo com os levantamentos da polícia, o esquema criminoso envolvia o corte de cabos e incêndios em centrais de distribuição de empresas legalizadas e concorrentes. Os criminosos ainda bloqueavam serviços de manutenção e forçavam moradores e comerciantes locais a aderirem ao serviço clandestino conhecido como a “internet do tráfico”.
As empresas provedoras autorizadas pela facção precisavam repassar uma taxa mensal pelo direito de atuar na região. Dados contábeis apreendidos revelaram que essa cobrança representou sozinha mais de 40% do faturamento total do grupo criminoso no Complexo da Penha em apenas um mês.
Lavagem de dinheiro e lucros
A exploração das telecomunicações se transformou em uma das fontes mais lucrativas para o crime organizado, alimentando disputas territoriais devido à garantia de uma nova base de clientes e receitas recorrentes. Conforme a PF, os valores ilícitos eram canalizados para familiares de Marcinho VP através de intermediários financeiros e contas de passagem.
O dinheiro era então lavado por meio de produtoras de eventos, agências de publicidade, aquisição de criptoativos e compra de imóveis de luxo quitados em espécie.
O papel de Márcia Gama
As autoridades policiais apontam Márcia como uma das principais pontes de comunicação entre os líderes encarcerados e os membros que atuam nas ruas, articulando os interesses da quadrilha.
Ela já havia sido tratada como foragida da Justiça em março deste ano, quando não foi encontrada pela Polícia Civil fluminense durante uma investida contra o Comando Vermelho, embora o mandado de prisão tenha sido cancelado dias depois mediante um habeas corpus emitido pelo Superior Tribunal de Justiça.


