Ex-socorrista troca ambulância por hamburgueria em Santa Catarina
Com investimento inicial de R$ 40 mil em um corredor, negócio familiar alcança faturamento milionário em Balneário Camboriú.

Aos 34 anos, Cristiano Vitorini tomou a decisão de abandonar a rotina de socorrista e motorista de ambulância para investir em um empreendimento próprio. Sem qualquer experiência prévia na área de gastronomia, ele aplicou cerca de R$ 40 mil para montar uma hamburgueria artesanal em um corredor lateral da residência de sua atual esposa, Bruna Naiara Basualdo Vitorini, situada em Balneário Camboriú, litoral norte de Santa Catarina. Passados seis anos, a empresa atinge um faturamento bruto mensal estimado entre R$ 170 mil e R$ 180 mil.
A origem do projeto durante a pandemia
A trajetória da D’Billys Burger & BBQ teve início em meio ao período de isolamento social. Na época, Cristiano acumulava funções na Unimed e como socorrista em uma rodovia federal, operando em turnos de 24 horas de trabalho por 24 horas de descanso. Bruna trabalhava no setor de atendimento do pronto-socorro da mesma cooperativa médica, local onde o casal se conheceu. O desejo de empreender já motivava Cristiano havia anos. Ao visitar a casa da parceira, ele visualizou potencial em um espaço lateral inutilizado por cerca de cinco anos.
Com o suporte da família de Bruna, particularmente da mãe dela, o casal iniciou as reformas para converter o local em uma cozinha industrial, estrutura que segue em operação para o estoque e a defumação dos cortes. Os recursos iniciais vieram de acertos trabalhistas de Cristiano. Mesmo diante das incertezas da pandemia, o casal seguiu em frente. Bruna permaneceu na Unimed por mais três anos, ao passo que Cristiano assumiu a dedicação integral ao novo negócio, cuja meta modesta inicial era faturar R$ 600 semanais para cobrir despesas básicas.
Desafios iniciais e a técnica do hambúrguer defumado
As operações começaram exclusivamente pelo sistema de delivery, mas a estreia ficou abaixo das expectativas, registrando apenas dez vendas no primeiro dia e três no segundo. Diante do movimento reduzido, o fundador dispensou os dois funcionários recém-contratados e passou a tocar a cozinha sozinho. Por quase três anos, ele acumulou a produção enquanto Bruna administrava os pedidos e o atendimento ao cliente.
O cardápio enfrentou resistência inicial do público devido à proposta de hambúrguer defumado, técnica até então pouco difundida na região. Clientes frequentemente questionavam a coloração avermelhada da carne, imaginando que estivesse mal cozida. O interesse pelo método surgiu após Cristiano assistir a vídeos sobre o uso de “pit smoker”. Ele tirou férias do emprego formal para viajar pela primeira vez de avião até Sorocaba, em São Paulo, onde aprendeu o ofício com outros empreendedores e adquiriu o equipamento por R$ 7 mil, ferramenta ainda utilizada na produção.
Crescimento e expansão para novos mercados
Passados seis anos desde a abertura, a hamburgueria comercializa uma média de 3,5 mil unidades mensais, volume que pode atingir duzentos lanches diários nos fins de semana mais movimentados. Cerca de 70% da receita continua vindo do serviço de entregas, mesmo após a criação de um salão físico. O fundador mantém controle direto sobre a modelagem e a defumação das carnes para assegurar o padrão de qualidade, contando com uma equipe treinada para auxiliar nos processos.
O sucesso inicial motivou os empreendedores a investirem também em uma pizzaria no bairro Vila Real, na mesma cidade costeira. Novamente diante de um segmento desconhecido, Cristiano buscou capacitação por meio de cursos e consultorias especializadas. Olhando para o passado, o casal celebra os resultados de anos de dedicação intensa e poucas folgas, conseguindo hoje equilibrar a gestão administrativa, a criação de novos pratos e a supervisão das marcas no litoral catarinense.


