Família de escultores mantém viva tradição austríaca em Santa Catarina
Conheça a trajetória de Werner Thaler e seus ancestrais na Capital Catarinense dos Escultores e Esculturas em Madeira.

A arte de esculpir em madeira atravessa gerações em Treze Tílias, no Meio-Oeste catarinense, impulsionada pelo legado da família Thaler, cuja história se confunde com a própria identidade cultural do município conhecido como a Capital Catarinense dos Escultores e Esculturas em Madeira.
Raízes históricas na Áustria A tradição artística teve início com a chegada dos primeiros imigrantes tiroleses em 1933. Foi nesse ano que Andreas Thaler, fundador da colônia, encomendou ao irmão Georg Thaler um presépio para a celebração da primeira Missa de Natal na comunidade. Entre os pioneiros também estava Andrä Thaler, filho de Andreas, que dividia as atividades agrícolas com a pintura a óleo e a escultura, transmitindo o ofício aos descendentes.
A expansão do legado artístico Uma das gerações seguintes foi representada por Gotfredo Thaler, que aprendeu o ofício com o pai, Andrä. Em 1967, ele viajou à Áustria para aperfeiçoar as técnicas e aprofundar os conhecimentos na arte da madeira. De volta ao Brasil, destacou-se na produção de peças sacras de grande porte, como o Cristo da Igreja Dom Bosco, em Brasília, evidenciando o alcance nacional da produção artística de Treze Tílias.
Formação internacional e retorno ao Brasil Seguindo os passos da família, Werner Thaler teve seu primeiro contato com a atividade aos 7 anos, acompanhando o avô Andrä. Mais tarde, decidiu buscar formação na Escola de Escultura de Elbigenalp, no estado do Tirol, na Áustria.
Na Europa, expandiu sua versatilidade ao estudar modelagem em argila, escultura em pedra e madeira, fundição em bronze, além de desenho e pintura policromada. Ele também realizou estágio com o mestre escultor Rudolf Geisler Moroder, que liderou a maior instituição de ensino de escultura do país por mais de três décadas.
Obras que cruzam fronteiras Após retornar ao Brasil e abrir o próprio ateliê, Werner produziu trabalhos que alcançaram diferentes regiões brasileiras e o Vaticano. Entre as criações mais marcantes está uma Sagrada Família oferecida ao papa João Paulo II pela Diocese de Joaçaba. Seu portfólio inclui ainda peças para o Santuário de Santa Rita de Cássia em Sorocaba (SP), uma Pietá em Santa Maria (RS) e imagens para a Igreja São Judas Tadeu, em Brasília (DF).
Patrimônio para o futuro Atualmente, o artista se dedica à confecção da imagem de Santa Catarina de Alexandria, padroeira do Estado, esculpida a partir de um tronco de araucária. A escultura integrará uma cápsula do tempo programada para ser aberta em 2126, eternizando a união entre a matéria-prima catarinense e a herança cultural austríaca.


