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Santa Catarina

Orleans: cidade catarinense de R$ 1,4 bilhão que nasceu de um dote imperial

Com 23 mil habitantes, município do Sul do estado guarda origens ligadas à coroa portuguesa e à nobreza francesa do século XIX

Cidade com PIB de R$ 1,4 bilhão em SC foi doada como dote por Dom Pedro II após o casamento da Princesa Isabel em 1864 e recebeu nome de príncipe francês

Com uma população que ultrapassa ligeiramente os 23 mil moradores e um Produto Interno Bruto que alcança R$ 1,4 bilhão, conforme dados do IBGE, o município de Orleans, situado no Sul catarinense, possui uma trajetória histórica diretamente conectada à família imperial brasileira. A localidade surgiu de uma gleba concedida como dote pelo imperador Dom Pedro II à Princesa Isabel, em comemoração ao matrimônio da herdeira com o nobre francês Conde d’Eu, formalizado em 1864.

A escolha das terras imperiais

No ano de 1870, um decreto imperial determinou que o casal recém-unido pudesse selecionar domínios entre os territórios de Santa Catarina e Sergipe. Uma equipe técnica formada por engenheiros e agrimensores avaliou diferentes áreas, elegendo o Vale do Rio Tubarão em virtude das reservas de carvão mineral encontradas e dos projetos para a implantação de uma via férrea na localidade.

A demarcação territorial recebeu o aval dos príncipes e teve início em 1811. O perímetro original abrangia cerca de 58 quilômetros — equivalente a 12 léguas —, estendendo-se entre os rios Tubarão e Braço do Norte. A área compreendia o espaço onde hoje estão situados o município de Orleans, partes de São Ludgero, Grão-Pará, Rio Fortuna, Santa Rosa de Lima, além de frações de Anitápolis, Armazém, São Martinho e São Bonifácio.

O batismo e a fundação da colônia

Para fomentar a colonização do espaço por imigrantes italianos, alemães, letos, poloneses e também brasileiros, a Colônia Grão-Pará foi instituída em 1882, crescendo de forma simultânea às obras da ferrovia que atendia a bacia carbonífera.

Foi justamente por meio da estrada de ferro que o Conde d’Eu inspecionou o território, no dia 26 de dezembro de 1884, optando por oficializar a escolha feita pelos engenheiros nas proximidades da ponte férrea sobre o Rio Tubarão. Do próprio canteiro de obras, o príncipe proferiu a célebre frase: “Aqui nascerá uma cidade com o nome de Orleans”.

Planejamento urbano e emancipação

A denominação prestou tributo à linhagem aristocrática francesa do próprio consorte. A definição do local e do nome motivou providências imediatas em 1885, como a abertura de vias públicas, a comercialização dos lotes iniciais e a ereção de uma capela próxima à ferrovia. A infraestrutura planejada naquela época deu origem a grandes avenidas que permanecem fundamentais para a mobilidade urbana local até os dias atuais, a exemplo das ruas XV de Novembro, Antônio da Silva Cascaes, Aristiliano Ramos e Miguel Couto.

A transformação da colônia em distrito ocorreu em outubro de 1888, por meio de uma Lei Provincial. Com isso, a região ganhou autonomia administrativa e passou a incorporar polos de mineração fundamentais, como Pindotiba e a área administrada pelo Visconde de Barbacena na localidade de Raposa. A chegada de novos moradores — em sua maioria trabalhadores ferroviários, comerciantes e profissionais liberais procedentes de Laguna e Tubarão — impulsionou o surgimento de comércios e indústrias pioneiras de beneficiamento de madeira e derivados de suínos.

Graças à mobilização de lideranças da região de Tubarão, capitaneadas pelo deputado Acácio Moreira, o município foi oficialmente criado pela Lei Estadual nº 981 em 30 de agosto de 1913, sendo instalado em 20 de outubro do mesmo ano.

Atualmente, Orleans destaca-se como um dos principais polos catarinenses na produção de ovos e frangos. Sustentada por um agronegócio forte com ênfase na avicultura e na suinocultura, a economia do município também conta com uma base diversificada que engloba expressiva atividade industrial, forte comércio e o turismo regional.