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Brasil

Bancos privados lucram mais de R$ 22 bilhões no terceiro trimestre

Itaú, Bradesco e Santander registram alta combinada de 2,4% impulsionados por gestão de risco e controle de custos

Três maiores bancos lucram R$ 22,61 bi no 3º trimestre, avanço de 2,4%

Os três principais bancos privados de varejo do País — Itaú Unibanco, Bradesco e Santander Brasil — registraram um lucro combinado de R$ 22,61 bilhões no terceiro trimestre. O montante representa um avanço de 2,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior e de 0,6% em relação aos três meses imediatamente anteriores, conforme dados compilados pelo sistema Broadcast.

Cenário macroeconômico e inadimplência

O aperto no orçamento das famílias e no caixa das empresas continuou como o tema central na temporada de balanços, diante do ritmo lento de alívio dos juros. Com a renda dos consumidores comprometidas, sobra menos espaço para honrar compromissos de crédito em dia, em um movimento que eleva a inadimplência no setor bancário.

O fenômeno ficou visível nos resultados dos três bancos, mas se refletiu em níveis bem distintos de deterioração. O Santander enfrenta a pressão mais forte do trio, diante de desafios nas carteiras de agronegócio baixa renda. O Bradesco, por sua vez, deu novos sinais de evolução na recuperação estrutural que vem implementando há dois anos, mas o ambiente macroeconômico restritivo retardou a melhora da rentabilidade e impôs revés na inadimplência. Já o Itaú seguiu como o mais resiliente do grupo, como consequência de uma disciplinada gestão de risco.

Desempenho por instituição financeira

O Banco da Cidade de Deus teve o 11° trimestre consecutivo de crescimento sequencial do lucro líquido, alcançando R$ 7,1 bilhões, graças à resiliência das receitas com serviços e o controle dos custos. Ao apresentar os números, o presidente da instituição, Marcelo Noronha, reconheceu o quadro desafiador. “Com comprometimento da renda das famílias maior e endividamento das empresas, temos que ter mais cautela e andar mais devagar”, disse.

No Santander, o lucro líquido registrou queda de 28% no comparativo anual, totalizando R$ 2,9 bilhões no terceiro trimestre. O resultado gerou um retorno sobre o patrimônio menor, na contramão da meta estipulada pela matriz espanhola. “São números obviamente abaixo do patamar de rentabilidade que buscamos”, admitiu o presidente do Santander Brasil, Gilson Finkelsztain. “Ao mesmo tempo, precisam ser considerados o cenário macroeconômico que estamos passando e o processo de rebalanceamento do banco”, argumentou.

Por fim, o Itaú teve um período de relativa estabilidade, com lucro líquido de R$ 12,617 bilhões e o maior retorno sobre o patrimônio do setor. “Os resultados vieram muito bem em termos absolutos e melhor ainda em termos relativos, quando comparados com os desempenhos de outros nomes no mercado”, disse o diretor de Estratégia Corporativa, Relações com Investidores e M&A Proprietário do banco, Renato Lulia.

A reação dos mercados a esse cenário econômico complexo continua exigindo cautela das instituições financeiras, que apostam em controle rigoroso de custos e seletividade nas concessões de crédito para manter a rentabilidade em patamares sólidos.