Qual o melhor horário para dormir para proteger a saúde do coração
Pesquisa internacional analisou dados de dezenas de milhares de adultos para entender a relação entre o descanso e problemas cardíacos.

Adormecer no intervalo entre 22h e 23h pode reduzir a probabilidade de desenvolvimento de doenças cardiovasculares em comparação com horários mais cedo ou mais tardios. A conclusão é de um estudo publicado na revista científica European Heart Journal – Digital Health e divulgado pela publicação de saúde da Universidade de Harvard.
A pesquisa acompanhou 88.016 pessoas com idades entre 45 e 79 anos ao longo de um período médio de 5,7 anos. Para o monitoramento, os participantes utilizaram dispositivos no pulso durante uma semana para registrar os momentos em que adormeciam e acordavam, além de responderem a questionários sobre hábitos de vida e estado de saúde.
Comparação de riscos entre as faixas de horário
Ao analisar os casos de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e outros problemas cardiovasculares, os pesquisadores estabeleceram o período das 22h às 22h59 como a faixa de referência.
Em relação a esse grupo, os participantes que começavam a dormir à meia-noite ou mais tarde apresentaram uma taxa 25% maior de incidência de doenças cardiovasculares.
Para os indivíduos que adormeciam na faixa entre 23h e 23h59, o aumento na taxa de incidência foi de 12%. Já entre aqueles que iam para a cama antes das 22h, o índice de problemas cardíacos foi 24% superior ao da faixa de referência.
Impacto no ritmo circadiano e luz matutina
Segundo os autores da investigação, a explicação para a variação nos índices pode estar relacionada à perturbação do ritmo circadiano, o relógio interno de 24 horas que regula o funcionamento físico do organismo.
Pessoas que costumam adormecer após a meia-noite possuem um risco mais elevado devido à menor probabilidade de exposição à luz matutina, elemento responsável por reajustar o relógio biológico.
Limitações e interpretação dos dados
Os cientistas ressaltam que os dados observados indicam uma associação estatística e não provam uma relação de causa e efeito direta entre o horário de ir para a cama e o surgimento de cardiopatias.
No entanto, o monitoramento continuado reforça a relevância da sincronização entre o horário de descanso diário e a regulação biológica do corpo.
*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil


