Brasileiros vencem hackathon do MIT com projeto voltado à saúde sexual de idosos
Grupo interdisciplinar conquistou o topo da competição realizada em São Paulo ao propor inovações para a longevidade.

Um grupo de talentos do Brasil garantiu a primeira colocação no MIT Hacking Medicine Brasil 2026, maratona de inovação e empreendedorismo em saúde promovida pelo renomado MIT (Massachusetts Institute of Technology). O evento ocorreu no último final de semana, entre os dias 31 de janeiro e 1 de fevereiro, nas instalações do Einstein Hospital Israelita, localizado em São Paulo.
Inovação com foco na longevidade
Centrada nas vertentes de Longevidade e Oncologia, a edição deste ano premiou a proposta da equipe Atlas Health, que aborda de maneira direta a saúde sexual na terceira idade. A iniciativa busca encurtar a distância entre a população idosa e o autocuidado por meio de conteúdos de caráter educativo, suporte profissional especializado e serviços dedicados. Como premiação, o grupo assegurou uma mentoria oficial do instituto americano para viabilizar os desdobramentos do projeto.
Formação multidisciplinar do grupo
A criação da ferramenta inovadora ficou a cargo de mentes de diversas áreas de atuação acadêmica e profissional. A equipe Atlas Health é composta por Bruna Ramos da Fonte, que atua como jornalista, pesquisadora, psicanalista e sexóloga; Thiago Martins, enfermeiro; Thalissa Galvanin, fisioterapeuta; Raphaela Rodrigues Silva, produtora multimídia; Gustavo Andrade Barreto, estudante de Medicina; e Filiphe Zucchi, engenheiro e estudante de Medicina.
A concepção da ideia inicial enfrentou barreiras sociais logo no início, conforme relembra Bruna Ramos da Fonte. Ao sugerir o tema que recebeu o primeiro lugar, “ninguém demonstrou interesse pela ideia. Cheguei a enviar mensagens no grupo dos participantes perguntando se havia alguém disposto a construir uma proposta inovadora sobre sexualidade na terceira idade, mas a única resposta foi o silêncio. Com o tempo para a formação das equipes se esgotando, entrei em um grupo que já estava trabalhando em outra proposta. Depois de muitas conversas, reflexões e trocas, a equipe abraçou minha ideia. Essa trajetória, por si só, evidencia não apenas a dimensão da lacuna existente, mas também o quanto o etarismo ainda atravessa o debate sobre sexualidade e envelhecimento.”
Cenário da saúde na terceira idade
Levantamentos estatísticos demonstram a relevância da temática abordada pelos campeões. Informações da Pesquisa Nacional de Saúde realizada em 2019 indicam que 40,76% das pessoas com 60 anos ou mais no Brasil mantiveram relações sexuais no período de um ano anterior ao levantamento. No entanto, o mesmo estudo aponta um fator de alerta: entre os idosos ativos sexualmente, 88,31% deixaram de utilizar preservativos.
O cenário reforça a urgência de políticas públicas e projetos voltados ao setor, uma vez que a vulnerabilidade dessa faixa etária é evidente perante infecções e a escassez de suporte adequado.



