02/11/2026

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Relatório aponta danos irreversíveis se o planeta superar 1,5°C

Um novo levantamento divulgado nesta segunda-feira (2) pelo ICCI e pelo Pnuma adverte que ultrapassar a marca de 1,5°C no aquecimento global provocará a perda definitiva de extensões de gelo na Terra.

Danos de longo prazo e o falso conceito de overshoot

A pesquisa reuniu um grupo internacional com mais de 80 especialistas dedicados a zonas polares e montanhosas para examinar o conceito de “overshoot”, que descreve a ultrapassagem temporária do limite estabelecido pelo Acordo de Paris seguida de um posterior resfriamento.

Contudo, os pesquisadores classificam essa estratégia como um mito para retardar a transição energética. Segundo o documento, caso o limite seja rompido, o degelo global e as transformações em larga escala serão inevitáveis e persistirão por séculos, gerando subida do mar, dessalinização, alterações em correntes marinhas, enchentes e eventos extremos mais intensos.

Impactos acelerados nos polos e oceanos

O derretimento dos mantos de gelo na Groenlândia e na Antártida ocorre hoje em um ritmo seis vezes superior ao registrado na década de 1990. Conforme a temperatura sobe, essa velocidade tende a se agravar.

O fenômeno projeta uma elevação marítima entre 50 centímetros e 1 metro até o final deste século, superando a capacidade de adaptação das zonas costeiras. Paralelamente, o influxo de água doce nos oceanos gera processos de dessalinização e acidificação, ameaçando ecossistemas inteiros como recifes de corais.

Descongelamento do permafrost e escassez hídrica

Outro efeito crítico é o degelo do permafrost, camada que deveria permanecer permanentemente congelada. O processo libera volumes massivos de gás carbônico equiparáveis às emissões de nações inteiras, além de comprometer a estabilidade do solo e provocar deslizamentos.

A disponibilidade de água potável também fica ameaçada pela diminuição das geleiras que funcionam como torres de água, elevando o risco de desastres súbitos e inundações.

Necessidade de ações urgentes

Diante do cenário, o relatório enfatiza que os governos devem acelerar a transição energética, indo além das metas atuais das NDCs para alcançar emissões líquidas zero até a metade do século.

A contenção rápida das emissões, somada ao corte na liberação de metano e fuligem, é apontada como a única forma de limitar o pico térmico. Além disso, as negociações climáticas da ONU, incluindo a próxima conferência na Turquia, precisam incorporar de vez a proteção da criosfera como prioridade central nas agendas globais.