Santa Catarina vistoria granjas e descarta vírus em 70 locais
As ações de combate à Doença de Newcastle em Santa Catarina avançaram de forma expressiva após a confirmação de três focos do vírus em granjas comerciais localizadas no Oeste catarinense. Até o momento, 70 estabelecimentos já apresentaram resultados negativos para a infecção, conforme balanço divulgado pela Cidasc (Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina).
Vigilância e barreiras no Oeste catarinense
A força-tarefa montada pelo estado já concluiu a vigilância epidemiológica em 100% dos estabelecimentos comerciais situados no terceiro raio de monitoramento. Mais de 80 profissionais atuam na operação, que também emprega quatro barreiras sanitárias para gerenciar o tráfego e realizar a desinfecção de veículos na região afetada.
Os três focos iniciais da doença foram detectados em criações comerciais nos municípios de Nova Itaberaba, Coronel Freitas e Nova Erechim. O primeiro caso foi confirmado em 18 de outubro em uma produção de perus de corte, enquanto os outros dois episódios tiveram confirmação laboratorial nos dias 24 e 26 do mesmo mês.
Eliminação de aves e vazio sanitário
Como protocolo obrigatório para conter a disseminação viral, 47.318 aves foram eliminadas nos três locais afetados. Desse total, 6.526 animais foram sacrificados no primeiro foco, 33.993 no segundo e 6.799 no terceiro. Após a remoção dos plantéis, as propriedades passaram por rigorosos processos de limpeza e desinfecção, ingressando na fase de vazio sanitário.
Além do monitoramento nas granjas comerciais, as equipes intensificaram a inspeção em propriedades de subsistência, acumulando centenas de vistorias na área de emergência, que reúne mais de 2.700 propriedades mapeadas. O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) prevê a conclusão das análises laboratoriais para subsidiar as próximas decisões sanitárias.
Impacto comercial e retomada das exportações
O rigor nas medidas de controle coincide com a retomada de importantes mercados internacionais. O México decidiu reabrir as portas para a importação de produtos avícolas brasileiros, refletindo a eficácia da resposta sanitária adotada pelo país diante da ocorrência da doença.
A Cidasc reforça que a situação permanece restrita e sob total controle do Serviço Veterinário Oficial, recomendando aos avicultores a manutenção estrita dos protocolos de biosseguridade para evitar o contato entre aves comerciais e espécimes silvestres.
O que é a doença de Newcastle
Trata-se de uma infecção viral altamente contagiosa que afeta aves domésticas e silvestres. A intensidade dos sintomas depende da variante do vírus e da espécie acometida, podendo incluir problemas respiratórios, diarreia, distúrbios neurológicos e elevada mortalidade nos plantéis. A transmissão ocorre pelo contato direto com animais infectados, secreções, fezes ou por meio de água, ração, equipamentos e superfícies contaminadas.
O Ministério da Agricultura esclarece que os produtos avícolas submetidos à inspeção oficial continuam perfeitamente seguros para o consumo humano, ressaltando que a identificação do vírus em uma granja não indica que a carne comercializada esteja imprópria.



