01/11/2026

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Polícia despeja acampamento contra crise de moradia em Portugal

A polícia entrou na madrugada deste domingo (1º) na Praça do Rossio, em Lisboa, para desmontar um acampamento de barracas montado após milhares de pessoas marcharem em protesto contra um projeto de lei sobre aluguéis. Os manifestantes exigem que o governo minoritário de centro-direita de Portugal retire a proposta, que, segundo eles, agravaria a crise habitacional do país.

Avanço policial e dispersão

Por volta das 4h30, dezenas de policiais, alguns acompanhados de cães, avançaram sobre o acampamento que reunia mais de 50 barracas, montadas após a marcha do sábado (31). Antes da ação, o comandante policial Iuri Rodrigues alertou os manifestantes três vezes de que as barracas montadas ilegalmente seriam desmontadas caso não fossem retiradas. Ele também advertiu que aqueles que resistissem poderiam responder por desobediência. Centenas de manifestantes que protegiam o acampamento foram dispersados pela polícia, que usou escudos e realizou algumas investidas com cassetetes. Separadamente, a polícia desmontou um acampamento semelhante, embora menor, na Praça Dom João I, no Porto.

Mais cedo, o deputado socialista Pedro Delgado Alves afirmou que a Praça do Rossio estava tranquila e que nada justificava “uma intervenção policial com uso de força, violência física ou investidas com cassetetes, o tipo de cenas que testemunhamos na semana passada”. A força de segurança já havia sido criticada por avançar com cassetetes e prender dezenas de pessoas durante a retirada de acampamentos nas mesmas praças uma semana antes.

Crise habitacional e reação política

Portugal enfrenta uma das piores crises habitacionais da Europa, afetando especialmente os jovens. Os preços dos imóveis mais que dobraram desde 2017, enquanto os aluguéis de novos contratos quase dobraram no período. Os atos contra a disparada dos custos de moradia se intensificaram no país nas últimas semanas, refletindo manifestações semelhantes que se espalham pela Espanha, França, Alemanha e outras nações europeias.

Os manifestantes exigem a retirada do projeto de lei que facilita despejos e acaba com os limites aos aluguéis de novos contratos, já aprovado em primeira votação com a abstenção do partido Chega. Na quinta-feira (29), o primeiro-ministro Luis Montenegro descartou retirar a proposta, mas se disse aberto a alterações antes da votação final nas próximas semanas. Segundo ele, os partidos “precisam se aproximar”, embora tenha deixado claro que “a principal linha de atuação é o programa do governo”. O líder do Partido Socialista, Jose Luis Carneiro, pediu no sábado que o executivo negocie com a oposição e os manifestantes, em vez de “impor arrogantemente suas posições, às vezes até com tons autoritários”.