Leilão de energia da Aneel garante r$ 8,9 bilhões em investimentos
O setor elétrico brasileiro garantiu um aporte financeiro de R$ 8,9 bilhões após a realização do Leilão de Transmissão nº 4/2026 pela Agência Nacional de Energia Eletrônica (Aneel). O evento ocorreu nesta sexta-feira (30), na sede da B3, situada em São Paulo, resultando na arrematação de todos os oito lotes disponíveis com um deságio médio de 50,1%.
Empresas vencedoras e abrangência geográfica
Cinco companhias dividiram os projetos do certame: Celeo Redes, Neoenergia, Cymi, EDP e Cox Brasil. Os planos de expansão e manutenção contemplam sete estados brasileiros, sendo eles Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo.
O cronograma prevê a implantação de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão, além de assegurar a continuidade operacional de outros 483 quilômetros já existentes na malha energética nacional.
Capacidade e critério de disputa
A infraestrutura planejada também engloba 12.694 megavolt-amperes (MVA) voltados à capacidade de transformação. A competição entre os investidores seguiu o critério de menor Receita Anual Permitida (RAP), que corresponde à remuneração anual destinada à prestação dos serviços. Desse modo, os descontos aplicados incidiram diretamente sobre os tetos tarifários definidos previamente pela Aneel.
Destaques de investimentos por companhia
A Celeo Redes liderou o volume de aportes financeiros ao arrematar os lotes 4 e 8, totalizando cerca de R$ 4,9 bilhões. O maior projeto do leilão integrou o lote 4, adquirido com uma RAP de R$ 377 milhões anuais e um desconto de 50,55%. Esse empreendimento abrange R$ 4,11 bilhões em investimentos, 1.167 quilômetros de linhas e 3.600 MVA de transformação, com foco no reforço elétrico de Mato Grosso do Sul e na expansão para novas conexões de geração.
No lote 8, em Rondônia, a Celeo investirá R$ 753,2 milhões na instalação de três compensadores síncronos na subestação Coletora Porto Velho, melhorando a resiliência energética que atende os estados do Acre e de Rondônia frente a variações climáticas.
Por sua vez, a Cymi ficou com os lotes 3 e 5, injetando aproximadamente R$ 2,05 bilhões. O lote 3 registrou o maior deságio de todo o certame, alcançando 57,08% com RAP de R$ 78,7 milhões anuais, cujas obras em Mogi das Cruzes suprirão a demanda da região central da capital paulista. Já o lote 5 trará melhorias para a região metropolitana de Curitiba.
Outros lotes e prazos contratuais
A Neoenergia garantiu os lotes 1 (Bahia) e 7 (Paraíba) com R$ 1,16 bilhão em investimentos estimados. A disputa pelo primeiro lote destacou-se pela acirrada concorrência com mais de 150 lances em viva-voz contra a Tradetek, fechando com desconto de 51,2%. Na Paraíba, as intervenções priorizam o atendimento ao Sertão.
Completando a lista, a EDP levou o lote 2 com aportes de R$ 317 milhões para linhas entre Bahia e Goiás, enquanto a Cox Brasil arrematou o lote 6 por R$ 480,3 milhões, voltado às regiões oeste e sudoeste paranaenses.
Os contratos firmados possuem vigência de 30 anos. Os prazos estabelecidos para que os empreendimentos entrem em operação comercial variam de 42 a 60 meses, contados a partir da formalização dos acordos.



